
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou ser favorável à pesquisa de petróleo na Margem Equatorial, mas alertou que a transição energética não pode ser adiada. Em entrevista à GloboNews, ele destacou que, embora seja importante entender o potencial da região, eventuais descobertas não devem justificar o atraso na mudança para fontes renováveis. “Precisamos prescindir do petróleo”, afirmou.
O tema ganhou força após o Ibama negar, em 2023, o pedido de licença para exploração do bloco FZA-M-59, por considerar inadequado o plano de resposta da Petrobras em caso de vazamento — a base mais próxima ficava a 870 km do local. Em resposta, a empresa propôs novas estruturas em Oiapoque (AP) e em Vila Velha do Cassiporé. A expectativa de setores do governo é que o Ibama apresente uma decisão antes da COP-30, em novembro de 2025, que ocorrerá em Belém, embora o órgão ambiental ainda não tenha confirmado prazos.
Haddad reforçou que, apesar da relevância da exploração, a queima de petróleo continua sendo uma das principais fontes de emissão de carbono. “Se inventassem um jeito de usar petróleo sem emitir, seria ótimo. Mas essa tecnologia não existe”, declarou o ministro, ressaltando que o Brasil já tem protagonismo na agenda ambiental global.
Em contraponto, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, argumenta que a receita gerada com o petróleo é crucial para financiar a transição energética, além de gerar empregos. O secretário de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, Pietro Mendes, também defendeu que uma eventual interrupção da produção nacional poderia aumentar as emissões globais, ao transferir a demanda para países com matriz energética mais poluente.











