
A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi incluída nesta quinta-feira (5) na Difusão Vermelha da Interpol, tornando-se oficialmente procurada internacionalmente. A inclusão atende a um pedido da Polícia Federal (PF), em cumprimento à determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que emitiu um mandado de prisão preventiva contra a parlamentar.
A decisão do STF, proferida em 9 de maio de 2025, condenou Zambelli a 10 anos de prisão pelos crimes de invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto. A investigação revelou que Zambelli teria contratado Delgatti para adulterar dados judiciais, incluindo mandados de prisão e alvarás de soltura falsos, com o objetivo de prejudicar a administração do Judiciário e obter vantagens políticas .
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil e anunciou que estava em busca de tratamento médico na Europa, embora posteriormente tenha sido confirmada sua presença nos Estados Unidos. A Interpol, com sede em Lyon, na França, emitiu a Difusão Vermelha com base na solicitação da PF, que busca viabilizar o pedido de extradição da deputada.
O diretor de cooperação internacional da PF, Felipe Seixas, esclareceu que a inclusão na lista da Interpol não implica prisão automática, pois cada país possui suas próprias regras para cumprimento de mandados. No Brasil, a prisão de um parlamentar depende da autorização da Câmara dos Deputados .
Com a inclusão de Zambelli, a Difusão Vermelha da Interpol passa a contar com 72 brasileiros procurados internacionalmente, sendo sete mulheres, procuradas por diversos crimes, incluindo tráfico internacional de drogas e homicídio qualificado.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também solicitou à Câmara dos Deputados o afastamento de Zambelli do cargo e o bloqueio de seus bens, passaportes e salários, incluindo a verba de gabinete. A decisão sobre o afastamento e outras medidas caberá à Casa Legislativa.
A defesa de Zambelli nega as acusações e afirma que a parlamentar é inocente. A deputada também recorreu da condenação no STF, alegando cerceamento de defesa devido à falta de acesso a provas importantes no caso.
A inclusão de Zambelli na lista da Interpol representa um marco no combate à impunidade e reforça o compromisso das autoridades brasileiras com a responsabilização de parlamentares envolvidos em atividades ilícitas.











