
Por Renata Gondim – O Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Pernambuco (SINTEPE) está no centro da queda de braço entre a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e o Palácio do Campo das Princesas. Depois de os representantes da classe terem sido recebidos pela própria governadora Raquel Lyra (PSD) na última quarta-feira (4) – e, diga-se de passagem, que não é uma iniciativa comum se comparada à governos anteriores -, no dia seguinte o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), agendou uma reunião com a presidenta do sindicato, Ivete Caetano. O encontro acontece nesta segunda-feira (9), às 10 horas, na sede do Legislativo, e terá como pauta o projeto de lei que reajusta os salários da categoria.
A governadora sinalizou desde a semana passada que tem dinheiro em caixa para o aumento salarial dos professores estaduais e mandou rodar uma folha de pagamento extra caso a Alepe realize a votação em tempo hábil. Ela deixou claro que estes e outros projetos importantes, a exemplo de dois empréstimos que somam mais de R$ 3 bilhões e que serão destinados a obras estruturadoras no Estado, se acumulam na Casa por falta de votação, mas que acredita que os deputados estaduais não vão se esquivar de votar pautas importantes para os pernambucanos.
“Eu acredito na força do diálogo. Eu não acredito que a Assembleia é contra a votação dos projetos que estão postos à mesa. Porque tudo que está sendo votado lá, qualquer discussão política é muito menor do que o interesse do povo de Pernambuco”, disse a governadora na ocasião.
Em sua defesa, a Alepe alega que foi a própria base governista quem trancou a pauta de votação e é quem faz manobras para esvaziar o quórum. “É inaceitável que a categoria, que desempenha um papel tão crucial na formação de nossas crianças e jovens, continue a ser prejudicada pelo esvaziamento das sessões. A Assembleia Legislativa de Pernambuco está do lado dos professores, e, juntos, lutaremos para que essa injustiça seja corrigida”, destacou Álvaro Porto.
Trocando em miúdos, de um lado a Alepe quer “filtrar” a pauta de votação, aprovando de imediato o que poderia gerar arranhões em sua imagem junto ao povo, sobretudo em ano pré-eleitoral; e postergar a votação dos projetos de interesse imediato da gestão Raquel Lyra, como empréstimos e sabatinas de administradores. Do outro, o Palácio usa a bancada governista para garantir que a oposição não tenha o poder de votar apenas o que quer e ao tempo que lhe é de interesse. Manobras do jogo político.
A pergunta que fica é: até quando o povo será o único perdedor deste embate?










