Em aceno ao Congresso, Lula empenha quase todas as emendas de 2025

Geraldo Magela/Agência Senado

 

 

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) empenhou quase a totalidade das emendas parlamentares inclusas no Orçamento de 2025. Até a última quarta-feira (31/12), o Palácio do Planalto reservou cerca de R$ 46,2 bilhões para investimentos indicados por deputados e senadores – após cumprir a promessa, o governo espera melhorar a relação com o Legislativo.

 

O montante representa 95,35% do total estipulado em recursos de pagamento autorizado pelo Executivo, que é de quase R$ 48,5 bilhões.

 

Empenhar recursos é a penúltima etapa do Orçamento. Isso significa que esses recursos já foram reservados pelos cofres públicos e devem seguir para o pagamento.

 

Do total das emendas de 2025, 64,28% foram pagas até o último dia de 2025, totalizando R$ 31 bilhões.

 

A polêmica das emendas

 

O tema emendas parlamentares vem causando polêmicas há um bom tempo. Esse mecanismo existe para que deputados e senadores indiquem recursos do Orçamento da União a serem investidos em determinadas áreas, normalmente encaminhados para as bases eleitorais dos congressistas.

 

O chamado Orçamento Secreto (em que o parlamentar não indicava a destinação dos valores), aliás, foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no apagar das luzes do governo Jair Bolsonaro, em 2022.

 

A relação até o momento, no atual governo Lula, foi repleta de atritos entre Executivo e Legislativo por causa do assunto, com participação também do Judiciário, muito em função das chamadas emendas secretas. Está nas mãos do ministro Flávio Dino a análise de casos relacionados a isso.

 

Em meio a tensões, desde o início de 2023, o governo Lula usou o mecanismo das emendas para destravar pautas no Congresso.

 

Aliás, em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), no último dia de 2025, o petista manteve o cronograma que determina que o Palácio do Planalto pague 65% das emendas parlamentares obrigatórias até meados deste ano. Por outro lado, o presidente vetou o trecho que inflava os repasses ao Fundo Eleitoral em 2026.

 

Maiores montantes

 

A maior parcela empenhada e paga é a de emendas individuais, aquelas indicadas diretamente pelos 513 deputados e 81 senadores, com pagamento obrigatório pelo governo. Essa rubrica teve R$ 24,6 bilhões autorizados pelo Orçamento de 2025, com R$ 23,9 bilhões (98%) empenhados e R$ 19,7 bilhões (80,5%) pagos.

 

Já recursos indicados pelas bancadas estaduais tiveram 85% dos recursos empenhados pelo Palácio do Planalto. Foram autorizados R$ 12,3 bilhões, reservados cerca de R$ 10,5 bilhões e pagos R$ 6 bilhões.

 

Emendas indicadas pelas comissões permanentes das Casas também tiveram a maior parte dos recursos empenhados. Dos R$ 11,5 bilhões autorizados, R$ 10,7 bilhões foram encaminhados. O pagamento desses recursos não é obrigatório. Assim, só 46% foram efetivamente pagos.

 

Relação com o Congresso

 

A movimentação de recursos na reta final do ano representa um aceno do governo Lula para amenizar a relação com o Congresso tendo em vista o cenário eleitoral de 2026. Já no início do ano legislativo, o Planalto deverá enfrentar votações decisivas na área da Segurança Pública e pautas trabalhistas.

 

O descontentamento generalizado com a falta de pagamentos de emendas é visto como um fator que contribuiu para que o Planalto tenha derrotas em votações ao longo de 2025, como a dosimetria e o PL Antifacção, além de ter colaborado para a PEC da Segurança sequer ser pautada.

 

Depois de sucessivos atritos, o governo Lula se comprometeu com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), no sentido de que empenharia todas as emendas parlamentares de 2025 até o fim do ano. O gesto seria uma forma de retomar a relação e fortalecer a posição de Motta no Congresso, desgastada depois de algumas derrotas, como o arquivamento das cassações de Carla Zambelli (PL-SP) e Glauber Braga (PSol-RJ).

 

Com informações do Metrópoles

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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