
Em um movimento raro e de forte impacto político em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), tornaram-se alvos de pedidos formais de impeachment, refletindo a crescente tensão e antecipação do embate eleitoral de 2026.
Na última segunda-feira (19), a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) recebeu oficialmente um pedido de impeachment contra a governadora Raquel Lyra. A iniciativa foi protocolada pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil), apoiado por setores da oposição ao governo estadual.
O requerimento acusa a governadora de crime de responsabilidade em razão de irregularidades que teriam sido identificadas na empresa Logo Caruaruense, tradicional companhia de transporte intermunicipal vinculada à família de Raquel Lyra — em especial ao seu pai, o ex-governador João Lyra, e que após a denúncia acabou encerrando suas atividades após 60 anos de existência.
Segundo o pedido, a empresa operou em condições irregulares, com vistorias vencidas e sem pagamento de taxas obrigatórias, o que, na avaliação do autor da denúncia, caracterizaria omissão ou conivência da administração pública estadual.
A líder do governo na Casa, deputada Socorro Pimentel, classificou a iniciativa como “cortina de fumaça” e estratégia para “desviar a atenção de controvérsias que envolvem outros atores políticos”, apontando que não há provas suficientes de irregularidades na gestão estadual.
A análise do pedido só será iniciada a partir de 2 de fevereiro, com a volta do recesso legislativo.
No âmbito municipal, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), também enfrenta um pedido de impeachment, apresentado no início de janeiro pelo vereador Eduardo Moura (Novo).
A iniciativa foi motivada pela polêmica alteração no resultado de um concurso público para procurador municipal, em que um candidato inicialmente fora da lista de vagas destinadas a pessoas com deficiência (PCD) teve sua classificação revista após a apresentação de laudo médico, e foi nomeado em detrimento de outro candidato originalmente habilitado. Críticos alegam que a medida violou o edital do certame e princípios como a legalidade e a impessoalidade.
Após a repercussão negativa, a prefeitura do Recife anulou a nomeação e restabeleceu o candidato originalmente aprovado na vaga PCD. Mesmo assim, o vereador responsável pelo pedido de impeachment sustenta que o episódio configura crime de responsabilidade e improbidade administrativa.
A Câmara Municipal do Recife ainda deve analisar a admissibilidade do pedido. Segundo a lei orgânica local, necessita comprovação de requisitos formais para prosseguir à fase de investigação e julgamento.
Para analistas, os pedidos de impeachment, ainda que não representem, por ora, risco imediato de cassação de mandato, refletem estratégias de desgaste político e a intensificação de confrontos entre adversários em um ano decisivo para a política local.











