
Por Renata Gondim – A fala da governadora Raquel Lyra no 9° Congresso da Amupe, na última segunda-feira (27), não foi apenas institucional. Ela foi, sobretudo, estratégica. Ao reforçar a ideia de parceria, diálogo e construção coletiva, Raquel acena diretamente para os prefeitos, que hoje são peças-chave no xadrez político estadual. Não é um movimento aleatório: a gestão compreende que governabilidade, especialmente em Pernambuco, passa necessariamente pela força dos municípios.
Mas o ponto mais sensível do discurso está na forma como ela trata a questão da água. Ao admitir que o Estado não tem R$ 30 bilhões em curto prazo para resolver o problema, a governadora opta por um caminho pragmático em que abandona o discurso fácil e assume publicamente os limites da máquina pública.
Em política, isso não é trivial. É uma escolha. E é justamente nesse contexto que entra a concessão parcial da Compesa. A medida, que já gera debates e resistências, aparece no discurso como solução inevitável, que passa longe de ser ideológica e se coloca como operacional.
A governadora constrói a narrativa de que, sem ampliar as formas de investimento, simplesmente não há como avançar e divide essa responsabilidade com os prefeitos, ao falar em “louros, vitórias e desafios” compartilhados. “Os prefeitos são a força do mandato”, disse ela.
Outro ponto importante é o alinhamento com o governo federal. Ao citar o apoio do presidente Lula na retomada de obras, a governadora sinaliza uma postura de cooperação. Há ainda um componente político claro quando Raquel se coloca como “governadora que foi prefeita”. Essa identificação não é uma mera retórica, ela é uma construção de vínculo e fala diretamente com gestores que lidam, diariamente, com falta de recursos, dependência do FPM e pressão local. Raquel atinge “as dores” dos gestores que ela mesma sentiu na pele.











