
A candidatura de Ivan Moraes deixou de ser apenas uma questão interna da esquerda pernambucana e entrou no tabuleiro nacional do PSB. A pressão para que o PSOL retire Ivan da disputa pelo Governo de Pernambuco revela o tamanho da importância que a eleição no Estado adquiriu para o partido de João Campos.
Segundo a Folha de S.Paulo, o PSB estaria disposto a mexer em alianças construídas em outros estados para tentar obter do PSOL a retirada da candidatura pernambucana. O movimento tem uma lógica eleitoral: embora Ivan tenha baixa intenção de voto, sua presença mantém uma candidatura identificada com a esquerda fora da chapa de João Campos. E em uma disputa na qual a associação com Lula é um dos principais ativos do ex-prefeito do Recife, o PSB trabalha para evitar qualquer dispersão desse eleitorado.
O problema é que retirar Ivan não depende apenas de uma negociação entre as direções nacionais. O PSOL de Pernambuco já construiu uma candidatura própria e, desde o início do ano, vem reafirmando a intenção de disputar o Governo do Estado. Em julho, a Federação PSOL/Rede apresentou oficialmente a chapa encabeçada por Ivan, com Alice Gabino na vice e Paulo Rubem Santiago na disputa pelo Senado.
Para o PSOL pernambucano, abrir mão da candidatura neste momento significaria abandonar um projeto que foi construído ao longo dos últimos meses. Para o PSB, por outro lado, cada ponto do eleitorado de esquerda pode ganhar peso em uma eleição que tende a ser marcada pela disputa apertada entre João Campos e Raquel Lyra.
A questão, portanto, não é apenas quanto Ivan pode alcançar nas pesquisas. É quanto pode representar o eleitor que não pretende votar em João Campos no primeiro turno, mas que está no campo político da esquerda.
Se o PSB estiver, de fato, colocando na mesa apoios a candidaturas do PSOL em outros estados, Pernambuco passa a ser moeda de uma negociação muito maior do que a própria eleição estadual. Ivan, por enquanto, responde que fica. E a frase de que está “com faca nos dentes e sangue nos olhos” traduz o momento político: quanto maior a pressão para retirá-lo, maior o espaço para transformar a candidatura em demonstração de independência do PSOL diante do PSB.
Até sábado (15), prazo final para o registro e eventuais retiradas de candidaturas, a pergunta permanece aberta: o PSB conseguirá transformar pressão nacional em acordo local ou Ivan chegará às urnas como o candidato que resistiu à tentativa de retirada?












