Alepe e Câmara retomam trabalhos em meio ao acirramento do debate político em PE

Plenário da Alepe – Foto: Nando Chiappetta/Alepe

 

Na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e na Câmara de Vereadores do Recife a volta dos trabalhos legislativos deve ser marcada pela intensificação do embate entre as oposições e governos. Em ano de eleição, o funcionamento das duas casas deve refletir a polarização que domina o cenário eleitoral pernambucano.

Prova disso é o protocolo de pedidos de impeachment contra os chefes do Executivo estadual e municipal. Embora com poucas chances de obterem resultados concretos, por enfrentar resistência de bases numerosas de ambos governos nas duas casas, as propostas ganham importância por serem feitas às vésperas do período eleitoral.

O presidente da Câmara, Romerinho Jatobá (PSB), avalia que o pedido de impeachment é um fato casual e que o fato de ter vereadores concorrendo nas próximas eleições é responsável por deixar o debate na casa mais intenso.

“O nosso foco é manter a rotina de muito trabalho. Mesmo em um ano eleitoral, precisamos cumprir nosso papel principal, que é representar a população. Além da condição de candidatos, seguimos como vereadores, trabalhando para que a gente continue tendo uma grande produção legislativa”, disse o vereador.

O líder da oposição na Casa de José Mariano, vereador Felipe Alecrim, afastou a ideia de que o grupo deve se pautar pelo calendário eleitoral. Ele afirmou que a responsabilidade pelo clima no Legislativo municipal é da gestão do Executivo.

“Nosso papel é fiscalizar, cobrar transparência e defender a cidade do Recife, independentemente de ser ano de eleição. Se o clima seguirá acirrado ou não vai depender muito mais das respostas que o Executivo dará à sociedade do que da postura da bancada de oposição na Câmara.

ALEPE – Na Alepe, o embate entre governo e oposição ficou ainda mais intenso após uma denúncia feita pela TV Record de que a Polícia Civil do estado teria investigado de forma clandestina um secretário da Prefeitura do Recife, comandada pelo prefeito João Campos (PSB), que deve enfrentar a governadora Raquel Lyra (PSD) nas urnas pelo comando do estado.

Acusado de instrumentalização da polícia, o governo de Pernambuco negou e garantiu que o órgão tem autonomia. Mesmo assim, a oposição tem explorado o caso politicamente, para questionar a atuação do gestão.

A líder do governo na Casa de Joaquim Nabuco, deputada Socorro Pimentel (UB), disse já esperar que o clima seja mais intenso por ser um ano eleitoral. Ela garantiu, no entanto, que a base governista seguirá focada em trabalhar pela população e buscar manter o diálogo com a oposição.

“É importante salientar que não iremos permitir que os posicionamentos políticos partidários interfiram na relação de diálogo e de respeito que construímos junto aos deputados da oposição”, afirmou Socorro.

Já o deputado estadual Waldemar Borges (PSB) afirmou que mesmo enfrentando uma maioria da base do governo na Alepe, a oposição irá continuar atuando na denúncia do que considera que esteja acontecendo de errado no estado. Ele negou que o grupo esteja antecipando as eleições e afirmou atuar para desmentir essa tese.

“Não é de nós que tem partido um comportamento eleitoralista. Vamos seguir denunciando esses métodos de fake news. Pernambuco está sentindo e vendo o que é barulho e o que é entrega. Essas narrativas, o povo percebe e vê que não encontram respostas na realidade”, enfatizou o parlamentar.

ANÁLISE – A partir desse cenário, a cientista político Priscila Lapa avalia que o ano legislativo deve ter um forte protagonismo no processo eleitoral deste ano, principalmente no sentido de oposição às candidaturas.

“Sem sombra de dúvidas teremos um ano legislativo acirrado, com atuação politizada no sentido eleitoral. No Legislativo, inclusive, devem ser protagonistas os entes da oposição, para fazer o contraponto das candidaturas ao governo do estado”, observou.

Já o cientista político Felipe Ferreira Lima destacou que pedidos de impeachment podem servir como uma estratégia para dar visibilidade aos parlamentares que são pré-candidatos à reeleição ou eleição para um novo cargo.

“Hoje é usado como estratégia política para visibilidade de estratégia. Então, a oposição faz um pedido de impeachment com base em um caso para que aquilo repercuta. Na grande maioria das vezes, o próprio parlamentar sabe que aquilo não vai ter futuro, mas o faz para render uma narrativa para aquele campo de oposição”, explicou.

*Com informações da Folha de Pernambuco

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

 

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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