Banco Central deve iniciar 2026 com dois diretores a menos

BRENO ESAKI/METRÓPOLES

 

 

O Banco Central (BC) deve iniciar o próximo ano com dois diretores a menos. Isso porque os diretores Renato Dias de Brito Gomes, da Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Abry Guillen, da Política Econômica, deixam os cargos no dia 31 de dezembro.

 

Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não fez nenhum aceno aos próximos indicados para compor o quadro de diretores da autoridade monetária e o Comitê de Política Monetária (Copom).

 

A expectativa do mercado financeiro é que os nomes indicados por Lula sejam mais alinhados aos interesses do governo, como vem acontecendo nas indicações do presidente.

 

Mesmo que Lula decida fazer as indicações nos próximos dias, os nomes ainda precisam passar por aprovação da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, o que pode não acontecer devido recente crise entre Executivo e Legislativo em torno da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Na última quarta-feira (3/12), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil – AP) decidiu cancelar o cronograma previsto para sabatina de Messias na casa legislativa sob a justificativa de que Lula estaria atrasando o envio da mensagem formal ao Senado com o objetivo de garantir mais tempo ao advogado, mirando conseguir mais apoio na votação.

 

O Palácio do Planalto nega a acusação. Apesar disso, Alcolumbre afirmou que só deve retomar o cronograma de Messias após a aprovação do Orçamento, composto da Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).

 

A tensão entre os poderes dificulta a existência de um espaço para que os indicados ao BC sejam conhecidos e sabatinados. Além disso, o Congresso Nacional entra em recesso no dia 22 de dezembro e os trabalhos legislativos são paralisados.

 

Caso Lula indique dois nomes nos próximos dias e Alcolumbre estabeleça um cronograma para apreciação dos possíveis diretores, não haveria tempo hábil para fazer o famoso “beija mãos”, em que os indicados visitam gabinetes de parlamentares para defender seus interesses e garantir os votos necessários.

 

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou que é preciso esperar pelo momento em que Lula entender como certo para realizar as indicações.

 

“É prerrogativa do presidente da República, como vocês imaginam, o presidente tem outros temas na mesa dela além deste tema, disse.

 

Diretoria do Banco Central será totalmente composta por indicados de Lula

 

Dos 9 diretores do BC, 7 foram indicações de Lula durante o seu mandato. As duas vagas que restarão entre a diretoria do banco são de nomes indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

 

A lei da autonomia do BC estipula mandatos fixos de quatro anos para todos os membros da diretoria.

 

Confira os integrantes do BC indicados por Lula:

 

Gabriel Galípolo – presidente do Banco Central;

 

Ailton Aquino – diretor de Fiscalização;

 

Gilneu Vivan ​– diretor de Regulação​;

 

Izabela Moreira Correa – diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;

 

Nilton David ​​– diretor de Política Monetária​;

 

Paulo Picchetti – diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos​;

 

Rodrigo Alves Teixeira ​​​– diretor de Administração​.

 

A expectativa é que com um BC composto integralmente por indicados de Lula, possivelmente de tendências mais moderadas, chamadas de “Dovish” no jargão econômico, para descrever posturas mais flexíveis e expansionistas com relação a taxa básica de juros e inflação, com o objetivo de favorecer o crescimento econômico e de empregos.

 

Atualmente a taxa de juros, a Selic, está em 15% ao ano, patamar considerado altamente restritivo por membros do governo.

 

Em sua comunicação, o BC avalia que não vê um horizonte próximo para o inicio da flexibilização monetária e enxerga que a taxa de juros atual deve se manter a mesma por um “período bastante prolongado”.

 

Apesar disso, economistas e membros da equipe econômica tem pressionado o Copom pela redução da taxa atual, isso porque a inflação, medida pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) voltou a convergir para a meta, fixada em 3% ao ano, com uma banda de tolerância de 1,5% para mais ou para menos.

 

Entenda o que é o Copom

 

O Comitê de Política Monetária é o órgão do Banco Central responsável por definir a taxa básica de juros da economia, a Selic;

 

O grupo usa a Selic para controlar a inflação, quando ela sobe demais, os juros aumentam; quando está baixa, há espaço para reduzir;

 

O Copom é formado pelo presidente do Banco Central e pelos diretores da instituição, especializados em áreas como política econômica e regulação;

 

O colegiado se reúne a cada 45 dias para analisar dados da economia, como inflação, câmbio, atividade e cenário internacional, antes de votar a taxa;

 

Quando questionado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliou que, se fosse diretor do Banco Central, já teria votado pelo corte de juros.

 

Até o momento, todos as decisões do Copom tem sido unânimes pela manutenção da Selic, o que pode ser alterado a próxima reunião, que acontecerá nos dias 10 e 11 de dezembro.

 

Com informações do Metrópoles

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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