
A Câmara de Timbaúba, na Mata Norte de Pernambuco, aprovou um aumento de 43,5% para o salário do prefeito e do vice-prefeito, e de 3,09% para a remuneração dos vereadores, no momento em que o município enfrenta problemas fiscais. Os professores municipais estão com pagamentos em atraso e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município tem atendimento restrito por falta de recursos financeiros. Segundo a prefeitura, o município passa por uma fase de “reestruturação administrativa”.
O atual prefeito do município é Marinaldo Rosendo (PP), reeleito em outubro com 14.839 votos (45,64% do total – a cidade de 46.147 habitantes não tem segundo turno). Ele é o gestor mais rico eleito em Pernambuco neste ano, com um patrimônio de R$ 31,1 milhões declarado à Justiça Eleitoral.
O projeto de resolução 03/2024, proposto pela Mesa Diretora da Câmara, aumenta os salários:
do prefeito de R$ 21 mil para R$ 30.134,21;
do vice-prefeito, que hoje é R$ 10.500, para R$ 15.067,10;
dos 13 vereadores de R$ 10.120 para R$ 10.432,39.
O valor dos vencimentos dos vereadores corresponde a 30% do que recebem os deputados estaduais de Pernambuco. É o máximo que os legisladores da cidade podem receber, já que a população do município diminuiu entre os censos de 2010 e 2022. A cidade, porém, moveu uma ação que pede a “retomada do quantitativo populacional”.
Se isso acontecer, os vereadores de Timbaúba poderão receber até 40% dos salários dos deputados estaduais. Por isso, um parágrafo no texto votado na Câmara Municipal já prevê que, caso o município vença o processo, os rendimentos dos vereadores passariam para R$ 13.909,85. Neste caso, o reajuste será de 37,45%.
Além disso, o texto aprovado na última semana também diz que o vereador escolhido para ser presidente da Câmara terá direito a 100% do subsídio mensal, o que significa um salário de R$ 20.864,78. Atualmente, a presidente da Câmara é a vereadora Marileide Rosendo (PP), irmã do prefeito Marinaldo Rosendo.
O projeto foi aprovado em primeira votação. Se tiver maioria dos votos na segunda votação, marcada para o dia 19 de novembro, os reajustes entram em vigor a partir de janeiro de 2025.
Atraso para os professores
Enquanto os agentes políticos da cidade estão aprovando reajustes nos próprios salários, os professores municipais têm convivido com atrasos nas remunerações. Segundo Alex Cristophe, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Timbaúba (Sintet), os docentes têm recebido o salário sempre após o quinto dia útil.
Já os contratados como temporários, segundo ele, receberam o referente ao mês de agosto no dia 2 de outubro (quatro dias antes da eleição municipal). O salário do mês de setembro foi pago apenas no último sábado, 9 de novembro.
O g1 teve acesso aos extratos bancários de um servidor efetivo da educação, que segundo o município, deveria receber até o quinto dia útil de cada mês. O salário de agosto, porém, só foi pago em 19 de setembro. E o salário de setembro, em 21 de outubro. Já a remuneração referente ao mês de outubro ainda não foi quitada.
Timbaúba tem cerca de 1,6 mil funcionários na educação. Cerca de 700 são efetivos. Os demais 900 têm contratos temporários, que podem ser rescindidos pela prefeitura. No sábado (9), um educador contratado disse ao g1 que estava com dois meses de salários atrasados, mas pediu para não ser identificado, por medo de ser perseguido.
“Fizemos várias denúncias no Ministério Público. Nenhuma delas foi remetida”, afirmou Alex Cristophe. O presidente do Sindicato dos Professores de Timbaúba forneceu uma lista com oito denúncias que foram levadas ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) relatando problemas na gestão da rede municipal de educação nos últimos dois anos.
Com informações do G1











