Com 3,4 milhões de foliões, Recife se consolida como um dos maiores Carnavais de Rua do país

 

Pela primeira vez com seis dias de programação oficial, o Carnaval do Recife atraiu 3,4 milhões de foliões para a capital pernambucana, 20% a mais do que em 2023, criando 57 mil postos de trabalho temporários e gerando R$ 2,4 bilhões de movimentação na economia. A capital pulsou ao som de frevo, maracatu, samba, pagode, rock, rap e tantos outros ritmos musicais com as mais de 3 mil apresentações artísticas na programação, incluindo 1,7 mil da Cultura Popular, sendo 98% da grade formada por artistas locais.

“Tudo superou o ano passado. Então a gente tem números de turistas, de movimentação econômica, ocupação hoteleira, voos, passageiros no aeroporto, número de foliões. Tudo foi superior ao ano passado. E a gente achava que já era uma barra difícil de ultrapassar, porque o carnaval do ano passado foi um grande carnaval. Mas esse ano a gente conseguiu crescer ainda mais. E eu acho que o bom da vida é isso. Você conquista um grande resultado, comemora o resultado, mas já olha para frente pensando em como crescer ainda mais, como conseguir entregar ainda mais”, declarou João Campos. “Eu acho que a grande marca do Carnaval do Recife é ser um carnaval organizado. O COP trouxe uma segurança para a gente, com instrumentos de gestão em todas as áreas”, acrescentou.

A folia aconteceu por toda parte, com 49 polos, 2 milhões de pessoas no Bairro do Recife e 1,4 milhão nos palcos descentralizados. A ocupação hoteleira da cidade chegou a 96% dos leitos e a pesquisa de satisfação apontou que 98% do público entrevistado pretende voltar a brincar a folia na cidade no ano que vem. No total, foram mais de 8 mil profissionais trabalhando para todo mundo curtir, em paz e alegria, o maior Carnaval em linha reta.

“A gente fez uma festa com organização e esse é o nosso papel, preparar a festa, que é realizada pelo folião. Mais uma vez, o Recife teve as suas ruas repletas de gente daqui e de fora, visitando e conhecendo algo que é único, que é a força da nossa cultura, que é a grande anfitriã dessa festa. Essa capacidade de se renovar reforça esse contexto de uma cidade que é singular, mas também universal. Quem vê o Carnaval do Recife, vai sentir a emoção. Começou com o Galo da Madrugada subindo e trazendo uma mensagem de paz e se encerra com o Orquestrão circulando pelas ruas da Ilha do Recife. Um carnaval de encontro e confraternização”, explicou o secretário de Cultura do Recife, Ricardo Mello.

A grande novidade na organização do evento foi o papel de destaque assumido pelo Centro de Operações do Recife (COP), que pela primeira vez ficou responsável pelo planejamento, coordenação e monitoramento dos serviços municipais, articulando as ações de mais de 20 secretarias e órgãos municipais, na mesma linha do trabalho que “estreou” no Réveillon. Criado pela Prefeitura do Recife no ano passado, o COP funcionou presencialmente durante a folia, numa sala ao lado do Marco Zero, e usou ferramentas como central de drones, painel online de acompanhamento das ocorrências e central de videomonitoramento em pontos estratégicos, com 145 câmeras, para verificar, em tempo real, a efetividade dos serviços prestados.

Na sala do COP, seis painéis exibiram as imagens das câmeras que fizeram o videomonitoramento dos principais pontos de concentração de foliões. Com 145 equipamentos distribuídos no Bairro do Recife, no percurso do Galo, nas saídas do Centro e, pela primeira vez, nos polos descentralizados, a cidade teve 57 câmeras a mais do que no ano passado. Os painéis mostraram também dados em tempo real sobre fatores como trânsito, temperatura e chuvas. A sala reuniu representantes da Guarda Municipal, Fundação de Cultura, SAMU, Polícia Militar, Neoenergia, CTTU, Secretaria Executiva de Controle Urbano e Assistência Militar, que atuaram de forma integrada para resolver rapidamente as demandas que surgiram.

De acordo com Anderson Soares, gerente geral do COP, foi importante a rapidez na resolução de problemas: “A grande vantagem do COP, dentro de um evento como o Carnaval, é a resposta rápida a qualquer problema. A gente não deixou que os problemas ganhassem forma, tomassem peso. A gente tem uma resposta muito rápida, muito protocolar, o que eu acho que garantiu o êxito de um evento como esse. O COP atuou em áreas como mobilidade, saúde, limpeza, assistência social… Todas as áreas de atuação, de planejamento, monitoramento e execução. Se tínhamos qualquer questão, a gente corrigia com os órgãos necessários.”

Com todas as suas cores, alegrias, tradições e acordes, o Recife celebrou o maior e melhor Carnaval em linha reta de sua história. A festa contou com 49 polos, mais de 3 mil apresentações e muitas novidades, começando a anunciar seus sinais ainda em novembro do ano passado, quando, numa estratégia inédita de divulgação, foram revelados os primeiros grandes nomes de artistas e atrações confirmados para subir aos palcos da cidade. A saudade que trouxe a festa pelo braço era tanta que o Recife subverteu o calendário e devotou mais um dia a Momo: a quinta-feira que encerrava o sempre extenso calendário de prévias – foram mais de 50 eventos esse ano, com destaque para um feminino como nunca, lotado e beneficente como sempre Baile Municipal -, virou o primeiro dia oficial da folia, congraçando o axé dos afoxés recifenses e os tambores ancestrais do Tumaraca com a tradição percussiva do Olodum, em homenagem aos 80 anos de Naná Vasconcelos.

A noite de abertura contou ainda com as inesquecíveis apresentações de Gilberto Gil e do espetáculo Recife, Cidade do Mangue. Grande celebração ao movimento que fincou parabólicas no rico estuário cultural e musical recifense, o espetáculo reuniu vários artistas, ciceroneados por Louise, filha de Chico Science, um dos homenageados da festa, que foi devolvido aos palcos e públicos da cidade por um holograma, comovendo um Marco Zero lotado de corações de andada para o emocionado reencontro.

E tudo isso foi só o começo. Até a manhã de hoje, quando o Orquestrão, comandado por Spok, conduziu os incansáveis foliões na travessia ofegante da terça-feira gorda para a quarta-feira ingrata, a festa foi embalada ainda por uma constelação de peso, com mais de 98% de atrações locais e grandes nomes nacionais, como: Alceu Valença, Lenine, Spok, Maestro Forró e Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, André Rio, Antônio Nóbrega, Elba Ramalho, Nena Queiroga, Almir Rouche, Raphaela Santos, Priscila Senna, Thiaguinho, Mumuzinho, Marcelo D2, Pato Fu, Rachel Reis, Ave Sangria, Arnaldo Antunes, Teresa Cristina, Chico César, Marcelo Falcão, Martins, Isadora Melo, Nação Zumbi, Vanessa da Mata, Matuê, Mart’nália, Luíza Sonza e Pitty. Lia de Itamaracá, também homenageada da festa, se apresentou ontem, na derradeira noite de programação do superlativo palco do Marco Zero, colocando todo mundo para dar as mãos e celebrar as tradições musicais e ancestrais que deram origem à alegria recifense.

Para todos os gostos e todas as idades, o Carnaval do Recife também chamou o futuro para brincar, em seis polos exclusivamente dedicados ao público infantil, com direito a uma grande novidade: o polo do Parque das Graças. Outro literalmente grandioso marco desse Carnaval foi o Galo Gigante da Paz, que acordou mais cedo e mais animado esse ano. Antecipada para a quarta-feira anterior à abertura do Carnaval, a subida do calunga foi embalada por muito frevo e várias atrações musicais, inaugurando mais uma tradição para a liturgia momesca recifense.

Nas imediações da ponte, nos arredores do bairro da Boa Vista, nascedouro do Carnaval e de suas tradições, quem cantou de galo foi a cultura popular. Marcando seu retorno à Dantas Barreto, o Concurso de Agremiações reuniu numerosas plateias para ver passar os grupos e brincantes que são Carnaval o ano inteiro, de domingo até ontem, abrindo alas para alguns dos mais representativos símbolos da cultura pernambucana, entre escolas de samba, blocos de pau e corda, tribos de índios, troças carnavalescas, maracatus de baque solto, maracatus de baque virado, clubes de frevo, clubes de boneco, caboclinhos, bois e ursos. O Concurso, que teve desfiles também na Avenida do Forte, reunindo 226 agremiações, terá seus resultados divulgados nesta quinta-feira (15), na concorrida e emocionada apuração realizada no Pátio de São Pedro, na Casa 10, a partir das 10h.

A nova passarela do concurso inaugurou mais uma centralidade momesca no Recife, dedicada às tradições carnavalescas originárias, protagonizada pelos já consolidados polos do QG do Frevo, na Praça da Independência, e dos pátios de São Pedro e do Terço e reforçada por novidades como o polo Novo Cais, que estreou no Carnaval passado, na Avenida Martins de Barros, e pelo Circuito de Pátio a Pátio, repetido e ampliado este ano, desfilando as belezas e histórias de 57 agremiações nas tardes do domingo, da segunda e da terça-feira de Carnaval, partindo do Pátio do Livramento até o Pátio de São Pedro.

Nos pátios do Terço e de Santa Cruz, o sagrado e a ancestralidade da festa também pediram passagem. Na segunda-feira, o Pátio do Terço confirmou uma das mais antigas e bonitas celebrações do Carnaval recifense: a Noite dos Tambores Silenciosos, que reuniu 29 grupos de maracatus em saudação aos orixás e aos ancestrais da cultura de matriz africana que formou a identidade do povo recifense, pernambucano e brasileiro. No Pátio de Santa Cruz, Bois, Ursos, Caboclinhos e Índios se encontraram, no domingo, na segunda e ontem, em cerca de 40 apresentações, convidando o Recife a se encontrar também com suas origens.

Esse convite se espalhou ainda por toda a cidade. Em todos os polos da festa, a programação foi sempre iniciada pelos desfiles de brinquedos e brincantes, nos espetáculos batizados de Matriz de Cultura Popular (MCP), reunindo toda a diversidade e tradições das agremiações que fazem no Carnaval do Recife o maior em linha reta, o mais democrático, horizontal e cheio de história para contar. Os fazedores e fazedoras da nossa cultura mais genuína e tradicional realmente foram os grandes anfitriões da festa. Foram mais de 400 apresentações de orquestras de frevo. E, entre bois de carnaval, caboclinhos, afoxés, maracatus e tantas outras manifestações locais, incluindo o frevo, foram cerca de 1.700 apresentações da cultura popular, festa adentro e Recife afora. “A grande marca é a diversidade cultural que marca o nosso carnaval, com uma variedade de ritmos e exaltação do que é feito aqui, na nossa região”, enfatizou o presidente da Fundação de Cultura do Recife, Marcelo Canuto.

 

 

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

 

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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