
Por Renata Gondim – O ambiente na Assembleia Legislativa de Pernambuco segue tensionado, com oposição e base governista transformando as comissões temáticas em palco de um embate político cada vez mais explícito, e estratégico. Prova disso foi a reunião da manhã da última terça-feira (14), em que a Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) aprovou o convite ao procurador-geral do Recife, Pedro Pontes, em mais um capítulo dessa disputa. A iniciativa, de autoria da deputada Débora Almeida, já havia sido apresentada anteriormente, mas acabou anulada por questionamentos sobre a regularidade da reunião anterior. Um detalhe técnico que, na prática, revela o nível de conflito interno no colegiado.
O episódio expõe uma linha tênue – e frequentemente explorada – entre os limites institucionais e o jogo político. No caso, foi reforçado que a Assembleia, por se tratar do parlamento estadual, não pode convocar formalmente representantes de outros entes, como a Prefeitura do Recife, restando apenas o instrumento do convite. Ainda assim, a votação apertada, que foi decidida pelo voto de desempate do presidente da comissão, Coronel Alberto Feitosa, evidencia o equilíbrio de forças e o clima de confronto.
O “fato determinado” usado como base para o convite envolvendo a disputa judicial por uma vaga destinada a pessoa com deficiência na Procuradoria do Recife, funciona mais como gatilho político do que como tema isolado. Na prática, o movimento amplia o alcance do embate entre grupos políticos que já extrapola esse caso em questão.
Mais cedo, a Comissão de Educação, sob comando de Renato Antunes, já havia aprovado convites à secretária de Educação do Recife, Cecília Cruz, e novamente a Pedro Pontes, desta vez no contexto das denúncias envolvendo os precatórios do Fundef.
A resposta veio na mesma moeda, e com o mesmo tom político: lideranças do PSB, como Diogo Moraes e Sileno Guedes, ampliaram o foco para nomes ligados ao governo estadual, numa tentativa clara de equilibrar o jogo e evitar que o desgaste fique concentrado apenas na gestão municipal.
Entram nesse pacote convites relacionados a temas sensíveis, como o caso da empresa Caruaruense, que envolve a gestão do ex-governador João Lyra; além de questionamentos sobre mobilidade, saúde e contratos na educação. Nomes como André Teixeira Filho, Yuri Coriolano, Zilda Cavalcanti e Fúlvio Wagner passam a integrar o radar das comissões.
O que se vê, portanto, é um movimento de “espelhamento político”: cada ação de um lado encontra resposta imediata do outro, transformando as comissões em arenas de desgaste mútuo. No fundo, mais do que a apuração de fatos específicos, o que está em curso é uma disputa de narrativa e de espaço entre forças políticas que já projetam seus movimentos para além do presente, mirando cenários próximos – entenda-se a disputa de outubro.
E, como já ficou bem claro, esse embate está longe de terminar.











