Crise das emendas trava o Congresso e deixa governo Lula refém

Foto: Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela

 

O ano legislativo começou com questões mal resolvidas entre os poderes da República. Hugo Motta e Davi Alcolumbre chegaram às presidências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, respectivamente, herdando um imbróglio das gestões passadas: o bloqueio das emendas parlamentares determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A falta de solução para essa questão está travando o Congresso e deixando o governo Lula em compasso de espera.

 

Crise das emendas

A cúpula do Congresso Nacional negocia com STF e governo federal para achar uma solução para o impasse das emendas.
Outras questões dependem, direta ou indiretamente, do fim do conflito.
O Parlamento ainda não votou o Orçamento da União para 2025, o que preocupa e obriga o governo a executar apenas 1/12 (um doze avos ou um duodécimo) do valor previsto para o custeio da máquina pública.

 

Também não foram definidos os novos presidentes das comissões permanentes na Câmara dos Deputados. Com o impasse, os partidos ainda não sabem o quanto cada colegiado terá à disposição. O presidente da Casa Baixa, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitou ao deputado federal Danilo Forte (União-CE) um projeto capaz de atender às exigências da Suprema Corte para pôr fim ao embaraço.

 

A proposta foi apresentada pelo parlamentar cearense a Motta na última semana, e será discutida no colégio de líderes. A principal mudança é acabar com as emendas de comissão, onde um terço do valor ficaria como emendas designadas pelas Mesas Diretoras das Casas e dois terços caberiam à indicação das bancadas partidárias.

 

“Ou seja, na proporcionalidade de cada partido, teria um volume de recursos em que a bancada, junto com o seu líder, faria o encaminhamento, aprovaria o texto de para onde essas emendas seriam alocadas e, com isso, poderia inclusive designar recursos para programas de políticas públicas”, explica Forte ao Metrópoles.

 

Orçamento para março

A Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2025, que deveria ter sido aprovada no ano passado, ficou para este ano. Protelar essa definição, além de preocupar o governo, acarreta limitações ao Executivo, como a suspensão do pagamento do reajuste já acordado com os servidores federais.

 

A expectativa é que o projeto de lei que trata do orçamento seja votado em março, depois do Carnaval. A definição, vale lembrar, deve ocorrer após reunião de representantes dos três poderes convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Operação da PF

Nesta semana, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou operação da Polícia Federal (PF) no âmbito de investigação sobre supostos desvios de emendas parlamentares. A corporação encontrou indícios de que um operador recebia porcentagem para captar os recursos.

 

Ao todo, a PF cumpriu 11 mandados de busca e apreensão e dois de busca pessoal. Entre os alvos da operação está o secretário parlamentar do deputado federal Afonso Motta (PDT-RS). Embora a execução das emendas do deputado sejam citadas na investigação, o parlamentar não foi alvo da corporação e lamentou ter o mandato envolvido no caso.

 

No mesmo dia, Afonso Motta esteve no gabinete do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para se explicar. Após o encontro, no entanto, o parlamentar afirmou que a conversa se limitou ao episódio, e não teria tratado do potencial do caso para complicar a relação entre os poderes no que se refere à execução de emendas parlamentares.

 

O caso, entretanto, promete respingar nas tratativas entre os poderes. Flávio Dino, que está na relatoria de ações no STF, proferiu uma série de decisões para garantir transparência e rastreabilidade na execução dos recursos. Em uma delas, o ministro citou indícios de corrupção em diversos casos e determinou investigação da PF. No mesmo ano, ele bloqueou mais de R$ 4 bilhões em emendas de comissão.

 

A fim de resolver o impasse, Dino marcou audiência de conciliação para o dia 27 de fevereiro. Estão intimados a comparecer representantes da Advocacia Geral da União (AGU), Senado Federal, Câmara dos Deputados, Partido Socialismo e Liberdade (partido autor da ação) e Procuradoria Geral da República (PGR). O ministro ainda oficiou órgãos do Executivo.

 

O ministro quer que, no encontro, tanto o Legislativo quanto o Executivo respondam questões como qual rito de indicação, aprovação e execução de emendas de comissão, de bancada e “emendas Pix” será adotado no Orçamento de 2025.

 

Com informações do Metrópoles

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

 

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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