
A decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região de reconhecer a validade de um edital da Universidade Federal de Pernambuco, com 80 vagas de medicina para beneficiários do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária, repercutiu na Alepe nesta terça. O novo entendimento derrubou uma liminar anterior, em que a Justiça Federal suspendia os efeitos da medida. Rosa Amorim, do PT, classificou o novo posicionamento como uma “vitória para os filhos e filhas de agricultores e quilombolas”.
Ela argumentou que o edital não interfere no acesso de outros estudantes às vagas já existentes. O que muda, conforme observou, é que uma turma extra será criada no Campus do Agreste, em Caruaru. “O que incomoda eles, de verdade, é ver o nosso povo pobre, trabalhador, rompendo as cercas das desigualdades sociais desse país, e a universidade até hoje é consequência disso. Quem são as pessoas que cursam medicina nesse país? Agora, a coisa vai mudar. Eles acham que ser médico é privilégio de quem nasceu rico, estudou em colégio caro ou pode pagar mensalidades exorbitantes em faculdades particulares. Pois saibam, esse tempo acabou.”
Os deputados João Paulo, do PT, e Dani Portela, do PSOL, comemoraram a decisão da Justiça. Débora Almeida, do PSDB, também parabenizou Rosa Amorim pelo pronunciamento e destacou que, apesar de justas, as cotas são o reconhecimento de que a educação básica do país ainda é falha. Doriel Barros, do PT, também celebrou a decisão judicial. Para ele, a iniciativa representa inclusão. “É muito importante para todos nós que defendemos que os trabalhadores sem-terra e que os quilombolas possam também, se eles quiserem, serem médicos, serem qualquer coisa que eles quiserem ser, porque a oportunidade tem que ser para todo mundo.”









