
Em um dia no qual as atenções do mercado financeiro estão voltadas para as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, o dólar começou a sessão desta quarta-feira (29/1) operando em baixa, depois de emendar sete quedas consecutivas.
O que aconteceu
Às 9h18, a moeda dos Estados Unidos operava em queda de 0,2% e era vendida a R$ 5,859.
Na véspera, o dólar recuou 0,73% e terminou o dia negociado a R$ 5,86, renovando o menor patamar desde novembro do ano passado.
Com o resultado, a moeda acumula perdas de 0,83% frente ao real nesta semana. No ano, a queda acumulada é de 5,03%.
“Superquarta”
“Superquarta” é o termo usado no mercado financeiro para o dia em que coincidem as divulgações das taxas básicas de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
É o caso deste 29 de janeiro de 2025, data na qual tanto o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) quanto o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o BC americano) anunciam o resultado de suas reuniões, ambas iniciadas na véspera.
A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. A Selic é utilizada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia.
Ao reduzir a Selic, a tendência é a de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
De acordo com as projeções do mercado, o Copom deve manter o aperto monetário e subir mais uma vez a taxa básica de juros em 1 ponto percentual, dos atuais 12,25% para 13,25% ao ano.
Esta será a primeira reunião do Copom desde a posse de Gabriel Galípolo na presidência do BC, no início deste ano.
Nos EUA, por sua vez, o Fed divulgará sua primeira decisão sobre os juros desde a posse de Trump na Casa Branca.
A expectativa dos investidores é que o BC americano mantenha os juros no intervalo entre 4,25% e 4,5%, contrariando Trump, que defende uma queda na taxa.
Trump segue em foco
A semana passada foi marcada pela posse do novo presidente dos EUA, que reassumiu o cargo no dia 20. Desde então, o dólar foi impactado e vem caindo sucessivamente. No Brasil, já são sete recuos consecutivos.
Desde a vitória de Trump nas eleições presidenciais americanas, em novembro, os mercados vinham projetando que as tarifas comerciais impostas pelo novo governo na Casa Branca poderiam fazer a inflação subir, levando o Federal Reserve a manter o aperto monetário por mais tempo.
Nos últimos dias, no entanto, se consolidou a percepção de que Trump não deve definir as novas tarifas tão rapidamente quanto parte do mercado esperava.
Na prática, até agora, Trump se limitou a orientar as agências federais a examinarem com lupa os déficits comerciais dos EUA e as práticas comerciais adotadas por outros países, que supostamente prejudicariam os interesses americanos. Mas não houve nenhum anúncio oficial sobre novas tarifas.
Após tomar posse, Trump chegou a dizer que vai impor tarifas de 25% sobre importações do Canadá e do México e 10% para a China – cifra inferior, no caso chinês, à que vinha sendo especulada pelo mercado. O chamado “tarifaço” que muitos esperavam, porém, não veio.
No dia 23, Trump fez um pronunciamento no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), no qual reiterou que, em sua avaliação, há forte desequilíbrio na balança comercial dos EUA com vários países com os quais negocia.
Trump reiterou a intenção de impor novas tarifas, mas ainda não especificou de que forma nem quando isso será feito.
Bolsa de Valores
As negociações do Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil, começam a partir das 10 horas.
Na terça-feira (28/1), o índice encerrou o pregão em baixa de 0,65%, aos 124 mil pontos.
Mesmo com o resultado, o Ibovespa acumula ganhos de 1,31% na semana e de 3,14% no primeiro mês do ano.
Com informações do Metrópoles











