Invasão sem precedentes dos EUA coloca em dúvida o futuro da Venezuela

Jesus Vargas/Getty Images

 

 

A invasão sem precedentes dos Estados Unidos à Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e da esposa, Cilia Flores, nesse sábado (3/1), desencadeou um cenário de incerteza política no país. Com Washington afirmando que vai administrar o governo venezuelano durante um período de transição ainda indefinido e diferentes grupos internos disputando espaço de poder, o futuro imediato da Venezuela permanece em aberto.

 

O que está acontecendo

 

Os Estados Unidos atacaram, nesse sábado (3/1), diversas regiões da Venezuela.

 

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que capturou o presidente Nicolás Maduro.

 

A Embaixada dos EUA em Bogotá afirmou estar ciente diante das explosões em Caracas e pediu para que nenhum norte-americano viaje até a Venezuela por “nenhum motivo e evite as fronteiras da Venezuela com a Colômbia, o Brasil e a Guiana”.

 

Desde o início da ofensiva militar norte-americana na região, sob o pretexto de combater o tráfico internacional de drogas, as tensões se prolongaram.

 

Em meio ao agravamento do cenário, Maduro passou a ser o principal alvo das ameaças de Trump. Isso porque o presidente da Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional.

 

Segundo a Constituição venezuelana, o poder deve ser transferido ao vice-presidente, cargo ocupado por Delcy Rodríguez, e uma nova eleição deve ser convocada em até 30 dias. Ela tomou posse como presidente interina nesse sábado (3/1), em uma “cerimônia secreta”, de acordo com o New York Times. Já o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos controlarão o país durante uma transição ainda sem prazo definido.

 

“Vamos governar o país até que possamos fazer uma transição segura, adequada e sensata”, disse Trump em Mar-a-Lago, na Flórida. O presidente americano afirmou ainda que não deseja que “outra pessoa assuma o poder e a situação se repita como nos últimos anos”. Ele não estabeleceu prazos para a ocupação e disse que caberá aos EUA decidir quando o país retornará ao controle venezuelano.

 

Trump também afirmou que os EUA estão trabalhando em conjunto com Delcy Rodríguez após a captura de Maduro. Segundo ele, o secretário de Estado, Marco Rubio, conversou com a presidente interina. “Ela está essencialmente disposta a fazer o que consideramos necessário para tornar a Venezuela grande novamente”. Em outro momento, disse que Rodríguez “não tem escolha”.

 

Possíveis cenários políticos

 

Para o doutor em estudos estratégicos internacionais Ricardo Salvador De Toma, o futuro político do país se desdobra, neste momento, em duas grandes possibilidades principais, todas elas marcadas por algum grau de influência norte-americana. No primeiro cenário, Delcy Rodríguez permaneceria à frente do governo, mas em posição subordinada a Washington. Segundo De Toma, isso exigiria um rompimento direto com Maduro.

 

“Um esforço militar para desarticular um regime acusado de enviar narcóticos aos Estados Unidos, mantendo Delcy Rodríguez [vice escolhida por Maduro] como continuidade do poder, significaria perpetuar o sistema — a menos que ela rompesse com Maduro. Caso participasse de sua captura ou se alinhasse a Donald Trump, Delcy poderia se tornar uma peça estratégica dos EUA na Venezuela, o que implicaria traição ao regime e ao sistema que os chavistas denominam ‘processo revolucionário’”, explica.

 

O segundo cenário citado pelo especialista é o reconhecimento do processo eleitoral e a posse de Edmundo González Urrutia:

 

“Outro cenário seria o reconhecimento do processo eleitoral, com Edmundo González [adversário de Maduro nas eleições de 2024] assumindo, mesmo com a cassação dos direitos políticos de Maria Corina Machado, que foi a grande articuladora da oposição. Nesse caso, seria necessário aguardar uma eventual reunião entre Trump e Maria Corina.”

 

A oposição venezuelana se movimenta nesse sentido, apesar de Trump já ter afirmado que María Corina “não tem apoio e nem respeito na Venezuela”. Após a captura de Maduro, a opositora afirmou que chegou a “hora da liberdade” e defendeu que Edmundo González Urrutia assuma o poder em Caracas imediatamente. “Ele deve assumir imediatamente seu mandato constitucional e ser reconhecido como Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Nacionais”, afirmou.

 

Para o especialista, independentemente de quem venha a assumir o poder, haverá forte influência norte-americana sobre Caracas.

 

Forças Armadas, oposição, comunidade internacional e Constituição

 

O coordenador do curso de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília, Gustavo Menon, aponta que vários atores-chave definirão os rumos do país nas próximas horas e dias.

 

Ele destaca primeiro o papel das Forças Armadas, historicamente alinhadas ao chavismo desde Hugo Chávez. Para Menon, os militares “tendem a apresentar ainda mais coesão no sentido de condenar esse ataque à soberania do país”, embora reconheça que possam existir alas dissidentes após a operação “efetiva e veloz” dos EUA.

 

O especialista também chama atenção para o protagonismo de María Corina Machado e Edmundo González e para a reação popular diante da Assembleia Nacional. Outro elemento central será o posicionamento da comunidade internacional, que já registra condenações e divergências na América Latina e na Europa.

 

A Constituição venezuelana de 1999 prevê que, nesse contexto, Delcy Rodríguez assuma como presidente interina e convoque eleições em 30 dias. “No entanto, considerando a intensa mobilização doméstica na Venezuela, não sabemos se será decretado um estado de exceção ou um estado de sítio”, explica Menon.

 

Ele também aponta que, além da crise política, há acusações criminais contra Maduro, incluindo a suposta ligação ao “Cartel de los Soles”. Para o especialista, contudo, há uma “intencionalidade estratégica” dos EUA relacionada ao petróleo. A Venezuela tem as maiores reservas do mundo, e Trump já indicou a intenção de renegociar contratos e revisar remessas para a China.

 

Com informações do Metrópoles

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

 

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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