
A atuação da primeira-dama Janja Lula da Silva nas ações de ajuda aos gaúchos atingidos pelas enchentes no Rio Grande do Sul reforçou a percepção de sua autonomia na atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ao liderar desde a entrega de alimentos e purificadores de água ao apelo pelo resgate de animais, Janja assumiu a imagem do governo federal no enfrentamento da tragédia.
A primeira-dama esteve com Lula nas 3 vezes em que o presidente visitou o Estado desde o fim de abril, quando as chuvas se intensificaram na região. Voltou ao solo gaúcho mais uma vez, em 8 de maio, acompanhada pelo prefeito de Araraquara (SP), Edinho Silva (PT), e pelos ministros.
Na ocasião, publicou um vídeo em suas redes sociais em que falou sozinha. Apresentou as doações, especialmente de 200 purificadores de água. “A gente tem o lema que eu aprendi que é: água é vida. Hoje a gente está sofrendo com o volume das águas que invadiram as casas, mas essa água que vai sair desses purificadores é vida”, disse no vídeo. Edinho e os ministros ficaram perfilados ao seu lado e não falaram nada durante a gravação.
O fato de Janja ter deixado os ministros em 2º plano foi interpretado por aliados como mais uma demonstração de poder da primeira-dama junto à cúpula do governo. A postura, no entanto, é naturalizada por integrantes do 1º escalão, que argumentam que tal dinâmica existe desde o início do governo com a anuência de Lula.
Antes de acompanhar o presidente na 3ª viagem ao Estado, em 15 de maio, Janja disse que iria com a comitiva e declarou: “Vou estar do lado dele como sempre, gostem ou não”.
O próprio presidente já ressaltou em algumas ocasiões o papel de sua mulher no governo. Em dezembro de 2023, afirmou que Janja é uma “agente política” que participa das decisões tomadas por ele com palpites e conselhos. Disse que ela não precisa ter um cargo oficial para desempenhar um papel no governo e que ambos podem ser vistos como “um modelo”.
Em abril, Janja afirmou exercer papel de articuladora no Executivo e que Lula dá “total autonomia” para que ela possa fazer o que faz. Disse ainda que não existe “linha de hierarquia” entre ela e o marido. A fala foi à BBC em reportagem sobre as funções exercidas por primeiras-damas latinas. Embora seja ativa no governo, Janja diz descartar, por enquanto, qualquer pretensão de se candidatar porque, segundo ela, é uma pessoa “dos bastidores”.
A primeira-dama tem articulado ações de arrecadação junto a empresários e instituições da sociedade civil, como o grupo de advogados Prerrogativas, para enviar os donativos ao Rio Grande do Sul. Várias das iniciativas estão publicadas em seu perfil no Instagram.
A atuação da primeira-dama na crise gaúcha tem sido bem vista por integrantes do governo. A avaliação é de que ela consegue divulgar com mais amplitude nas redes sociais a resposta do Planalto à tragédia no Rio Grande do Sul.
A primeira-dama também exerceu protagonismo no resgate do cavalo Caramelo em Canoas (RS). Depois que as imagens do animal ilhado em cima de um telhado viralizaram nas redes sociais, Janja anunciou no X (antigo Twitter) que havia conversado com o general Hertz Pires, comandante militar do Sul, para que o animal fosse localizado e resgatado.
Em seu perfil no Instagram, Janja divulgou um vídeo em que aparece emocionada com o resgate do cavalo. Logo em seguida, ela informou Lula sobre o episódio. O presidente participava de um evento no Palácio do Planalto em que anunciou medidas econômicas de ajuda ao Rio Grande do Sul. A primeira-dama chorou e mostrou as fotos do resgate ao petista.
Com informações do Poder360











