PF vê necessidade de apurar omissão de ex-comandantes do Exército e Aeronáutica

 

 

No relatório que embasou a operação Tempus Veritatis, que mirou ex-ministros do governo Jair Bolsonaro (PL), a Polícia Federal (PF) aponta a necessidade de apurar se o ex-comandante do Exército, Freire Gomes, e o da Aeronáutica, Baptista Junior, contribuíram para a tentativa de golpe por omissão.

 

Segundo o relato feito pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o da Marinha, Almir Garnier, teria sinalizado adesão a um eventual golpe militar. Ele é o único dos três comandantes alvos da operação.

 

A PF, contudo, indica que a postura dos outros dois precisa ser apurada para se entender o motivo de não terem denunciado os planos em andamento.

 

“Conforme o exposto, os fatos apresentados revelaram a adesão e participação de vários militares aos atos que estavam sendo desenvolvidos pelo grupo investigado na tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Em relação ao general Freire Gomes e ao Brigadeiro Baptista Junior os elementos colhidos, até o presente momento, indicam que teriam resistido às investidas do grupo golpista. No entanto, considerando a posição de agentes garantidores, é necessário avançar na investigação para apurar uma possível conduta comissiva por omissão pelo fato de terem tomado ciência dos atos que estavam sendo praticados para subverter o regime democrático e mesmo assim, na condição de comandantes do Exército e da Aeronáutica, quedaram-se inertes”, atesta o documento.

 

“Divulgação perigosa e inoportuna”
Outro militar citado no relatório, mas que não aparece como alvo, é o pai do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o general Lourena Cid.

 

Lourena havia sido citado na investigação da venda de joias no exterior e foi o envolvimento do pai que levou Mauro Cid a optar por um acordo de colaboração premiada. Até então, a justificativa era de que Lourena apenas havia ajudado em uma missão recebida pelo filho.

 

O relatório, no entanto, mostra uma troca de mensagens que revela uma preocupação com a narrativa montada pelo grupo golpista para manter apoiadores mobilizados.

 

O Ministério da Defesa havia sinalizado que divulgaria o relatório feito sobre possíveis fraudes nas urnas logo após a realização do primeiro turno. De acordo com as investigações, o objetivo era manter o discurso falso de que o processo eleitoral poderia ser fraudado. Como a pasta não conseguiu localizar vulnerabilidades, a divulgação do resultado passou a gerar a apreensão pela capacidade de desmontar a narrativa criada.

 

Em 4 de outubro, às 20h28, Lourena encaminha para o filho, Mauro Cid, uma mensagem recebida por outra pessoa, não identificada pela PF.

 

Na manhã de 5 de outubro, outra mensagem é enviada, reforçado o posicionamento da anterior. “Por isso há grande receio de uma manifestação precipitada de endosso ao MD ao processo no primeiro turno”, diz.

 

Com efeito, a divulgação do parecer foi adiada e só aconteceu depois do segundo turno, após pressão do TCU (Tribunal de Contas da União). A nota oficial é dúbia e diz que não foi possível identificar, mas tampouco descartar eventuais fraudes.

 

A operação Tempus Veritatis foi deflagrada na quinta-feira passada para apurar uma tentativa de golpe articulada dentro do governo Bolsonaro. Ao todo, 16 militares foram alvos.

 

Com informações do G1

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

 

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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