Prisão de Silvinei após fuga faz Moraes subir tom na reta final do ano

Departamento Nacional de Migração

 

Após a fuga do ex-deputado condenado Alexandre Ramagem (PL) e da tentativa de fuga do Brasil do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão domiciliar de outras 10 pessoas condenadas por participarem de trama golpista em três núcleos diferentes. Com a decisão, mesmo ainda sem o trânsito em julgado e com algumas ações no prazo recursal, todos os considerados culpados pela Primeira Turma que ainda não estavam presos agora estão, preventivamente.

 

A exceção se dá para o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, Mauro Cid, que cumpre pena de dois anos de reclusão em regime aberto, e para o coronel da reserva Reginaldo Vieira de Abreu, condenado a 15 anos e seis meses de prisão, mas que mora legalmente nos Estados Unidos desde 2023.

 

Nas decisões desse sábado (27/12), Moraes usou Ramagem e Silvinei como exemplos do risco de fuga, ambos condenados e ainda respondendo ao processo em liberdade.

 

Na decisão, o ministro faz a seguinte observação: “O modus operandi da organização criminosa condenada pelo Supremo Tribunal Federal indica a possibilidade de planejamento e execução de fugas para fora do território nacional, como feito pelo réu Alexandre Ramagem, inclusive com a ajuda de terceiros, conforme destacado pela Polícia Federal”.

 

O ministro deu as ordens de prisões domiciliares no âmbito de ações penais julgadas pela Primeira Turma e incluem a imposição de medidas cautelares, diante do risco concreto de fuga identificado nos autos. As decisões alcançaram os seguintes réus:

 

Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército: condenado a 13 anos e seis meses;

Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros: condenado a 17 anos de prisão;

Filipe Martins , ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex– presidente Jair Bolsonaro: 21 anos de prisão;

Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército: 14 anos de prisão;

Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército: 17 anos de prisão;

Ailton Gonçalves Moraes Barros, major da reserva do Exército: 13 anos de prisão;

Fabrício Moreira de Bastos, coronel: 16 anos de prisão;

Bernardo Romão Correa Netto, coronel: 17 anos de prisão;

Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça: 8 anos e seis meses de prisão;

Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal: 7 anos e seis meses de prisão. Sendo que esse último ainda não foi encontrado pela PF para cumprir o mandado.

 

Em todos os casos, foi determinada a prisão domiciliar com monitoramento eletrônico, além de diversas restrições, como proibição de uso de redes sociais, vedação de contato com outros investigados e réus, entrega de passaportes, proibição de saída do país, suspensão de registros e autorizações para porte de armas e limitação de visitas, restritas a advogados e pessoas previamente autorizadas pelo STF. O descumprimento das medidas poderá resultar na decretação imediata de prisão preventiva.

 

Críticas a Moraes

 

As decisões de Moraes nesse caso estão sendo contestadas pelas defesas de alguns dos condenados. O advogado Jeffrey Chiquini, que representa Filipe Martins, protestou contra o fato de seu cliente estar sendo punido pela fuga de outra pessoa.

 

“Vamos recorrer, sabendo das chances quase inexistentes de reforma dessa decisão, uma vez que é o Moraes quem irá analisar o nosso recurso”, declarou ele ao Metrópoles.

 

O advogado afirmou ainda que a iniciativa pretende registrar, formalmente, o que considera ilegalidades no andamento do processo. “Faremos isso para que haja um registro histórico das ilegalidades que estamos vivendo nos dias atuais. Eu digo, e não canso de dizer, que estamos vendo, debaixo do nosso nariz, o assassinato de regras básicas do acesso penal”, criticou ainda Chiquini.

 

Ações

 

As prisões foram determinadas no âmbito das Ações Penais (APs) nº 2.694, nº 2.696 e nº 2.693, julgadas pela Primeira Turma do STF. O colegiado reconheceu a atuação estruturada e permanente de organização criminosa armada voltada à tentativa de ruptura institucional e aos atos que culminaram nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

 

As novas decisões ampliam o alcance das medidas cautelares para outros réus já condenados nos mesmos processos ou em ações conexas.

 

Em todos os processos, foi determinada a comunicação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fins de inelegibilidade, nos termos da Lei Complementar nº 135/2010 (Lei da Ficha Limpa), em razão das condenações colegiadas.

 

Risco de fuga

 

Ao determinar as prisões domiciliares, o relator destacou que, embora as condenações tenham fixado regime inicial fechado, o momento processual recomenda a adoção de medida cautelar menos gravosa, sem prejuízo da garantia da aplicação da lei penal.

 

As decisões consideraram o histórico recente de tentativas de fuga do território nacional por outros condenados em ações penais relacionadas aos atos antidemocráticos.

 

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, as medidas são necessárias para assegurar a efetividade das decisões condenatórias e preservar a ordem pública, em consonância com a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal.

 

Presos

 

Em 16 de dezembro, ao concluir o julgamento do núcleo 2, o STF chegou à marca de 29 condenados à prisão nas ações penais da trama golpista. Somente dois réus foram absolvidos. O Núcleo 5 é formado pelo réu Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente durante a ditadura João Figueiredo. Ele mora dos Estados Unidos e não há previsão para o julgamento.

 

O general de Exército Estevam Theófilo, do Núcleo 3, e Fernando de Sousa Oliveira, delegado de carreira da Polícia Federal (PF) e ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça, do Núcleo 2, foram absolvidos pela Primeira Turma por falta de provas.

 

Hoje, somente os réus do Núcleo 1, que engloba o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete réus, cumprem pena após trânsito em julgado das ações. Os demais ainda estão em fase de recurso. Veja:

 

Núcleo 1, condenados em 11 de setembro

 

Jair Bolsonaro, ex-presidente da República: condenado 27 anos e três meses – preso

Walter Braga Netto, ex-ministro e candidato à vice na chapa de 2022: condenado a 26 anos – preso

Almir Garnier, ex-comandante da Marinha: condenado a 24 anos – preso

Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal: condenado a 24 anos – preso

Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI): condenado a 21 anos – em prisão domiciliar humanitária

Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa: condenado a 19 anos – preso

Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin): condenado a 16 anos, um mês e 15 dias – foragido nos EUA

Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro: condenado a 2 anos em regime aberto e garantia de liberdade pela delação premiada.

 

Núcleo 2, condenados em 16 de dezembro

 

Mário Fernandes, general da reserva do Exército: condenado a 26 anos e seis meses de prisão – preso

 

Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF): condenado a 24 anos e seis meses de prisão – tentou fugir e foi preso preventivamente

 

Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro: condenado a 21 anos de prisão – preso

 

Filipe Martins , ex-assessor de Assuntos Internacionais do ex– presidente Jair Bolsonaro: condenado a 21 anos de prisão – em prisão domiciliar decretada neste sábado

 

Marília de Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça: condenada a 8 anos e seis meses de prisão – em prisão domiciliar decretada neste sábado

 

Núcleo 3, condenados em 18 de novembro

 

Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel: condenado a 24 anos de prisão – preso

Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel: condenado a 21 anos de prisão – preso

Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel: condenado a 21 anos de prisão – preso

Wladimir Matos Soares, policial federal: condenado a 21 anos de prisão – preso

Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros , tenente-coronel: condenado a 17 anos de prisão – em prisão domiciliar decretada neste sábado

Bernardo Romão Correa Netto, coronel: condenado a 17 anos de prisão – em prisão domiciliar decretada neste sábado

Fabrício Moreira de Bastos, coronel: condenado a 16 anos de prisão – em prisão domiciliar decretada neste sábado

Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel: condenado a 3 anos e 5 meses de prisão.

Ronald Ferreira de Araújo Júnior, tenente-coronel: condenado a 1 ano e 11 meses de prisão.

Núcleo 4, condenados em 21 de outubro

 

Ângelo Martins Denicoli, major da reserva do Exército: condenado a 17 anos de prisão – em prisão domiciliar decretada neste sábado

 

Reginaldo Vieira de Abreu, coronel do Exército: condenado a 15 anos e seis meses de prisão – mora nos EUA legalmente e ainda não recebeu carta rogatória, segundo a defesa

 

Marcelo Araújo Bormevet, policial federal: condenado a 14 anos e seis meses de prisão;

Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente do Exército: condenado a 14 anos de prisão – em prisão domiciliar decretada neste sábado

Ailton Gonçalves Moraes Barros, major da reserva do Exército: condenado a 13 anos de prisão – em prisão domiciliar decretada neste sábado

Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel do Exército: condenado a 13 anos e seis meses – em prisão domiciliar decretada neste sábado

Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal: condenado a 7 anos e seis meses de prisão – teve decisão para prisão domiciliar, mas não foi encontrado.

 

Com informações do Metrópoles

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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