
A Comissão Executiva Nacional do PSB aprovou, nesta quarta-feira (14), em Brasília, uma resolução que autoriza a direção nacional da legenda a negociar a formação de uma federação partidária ou a incorporação de outros partidos. A decisão foi tomada durante reunião que também avaliou o desempenho eleitoral de 2026 e definiu estratégias para o futuro da sigla.
A movimentação ocorre em meio às dificuldades enfrentadas por partidos que não atingiram os requisitos de desempenho da cláusula de barreira nas eleições deste ano. Entre eles estão o PDT e as federações Psol/Rede e Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade. O descumprimento das exigências impõe restrições ao acesso dessas legendas aos recursos do Fundo Partidário e à propaganda eleitoral gratuita, conforme as regras aplicáveis.
O PDT já convocou uma convenção nacional para o dia 27 de outubro, quando deverá discutir alternativas para o futuro da legenda, incluindo a formação de uma federação, a incorporação por outro partido ou uma fusão partidária.
Balanço eleitoral
Durante a reunião, o presidente nacional do PSB, João Campos, avaliou que a legenda conseguiu ampliar sua presença política mesmo diante do avanço de forças conservadoras. Para o dirigente, o resultado eleitoral abre espaço para o crescimento do partido nos próximos pleitos.
“Tivemos um resultado que me deixa feliz porque a gente resistiu crescendo e tenho certeza de que a gente vai dar passos ainda mais largos”, afirmou.
Campos também analisou a distribuição dos votos entre os diferentes campos políticos e atribuiu ao centro parte do avanço da direita.
“O crescimento da direita aconteceu principalmente em cima do centro. E, claro, isso limitou o crescimento que a esquerda e a centro-esquerda poderiam ter também em cima do campo do centro”, avaliou.
“Ocorreu o que imaginávamos mas, diante do contexto, a gente teve um resultado vitorioso, e estamos prontos para que essa semente plantada busque um resultado maior daqui para frente”, acrescentou.
Crescimento nas urnas
Segundo o balanço apresentado pelo partido, o PSB ampliou sua representação no Senado, com três novas cadeiras: Renato Casagrande, ex-governador do Espírito Santo; Cid Gomes, reeleito pelo Ceará; e João Azevêdo, ex-governador da Paraíba. A legenda já havia elegido Flávio Dino em 2022, cuja vaga é atualmente ocupada por Ana Paula Lobato, do Maranhão.
Na Câmara dos Deputados, o PSB contabilizou 5 milhões de votos, um crescimento de 20% em relação a 2022. O partido também informou que renovou 46,7% de sua bancada federal, índice dez pontos percentuais acima da média nacional.
“Nós tivemos menos da metade dos recursos da eleição de 2022 e conseguimos entregar 20% a mais de votos. Isso a gente deve a quem construiu a eleição na ponta”, afirmou João Campos.
Nas Assembleias Legislativas, o partido elegeu 42 deputados estaduais em 11 unidades da Federação, incluindo dez mulheres. Ceará, com 13 parlamentares, e Pernambuco, com nove, concentram as maiores bancadas estaduais da legenda.
O PSB também informou ter ampliado sua participação entre os partidos do campo progressista, passando de 11% para 14%, e destacou ter superado a cláusula de barreira individualmente, além da federação formada por PT, PCdoB e PV.









