STF forma maioria contra leis que proíbem ensino sobre linguagem neutra

STF – Supremo Tribunal Federal (Valter Campanato/Agência Brasil)

 

Do Congresso em Foco – O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria em duas ações apresentadas pela Aliança Nacional Lgbti+ e outros coletivos associados questionando a validade de leis municipais que proíbem a discussão sobre temas relacionados à linguagem neutra nos sistemas de ensino, bem como a vedação de sua adoção em atos oficiais da administração. Os dois processos contam com oito votos favoráveis à suspensão da eficácia das respectivas leis.

A advogada da Aliança Nacional Lgbti+, Amanda Souto Baliza, conta que os dois processos são parte de um pacote mais amplo de ações levantadas em maio pela instituição, que considera tais leis inconstitucionais não apenas por considerá-las uma violação da liberdade de expressão e de cátedra dos servidores atingidos, mas também por haver um vício de iniciativa, tendo em vista que apenas a União é autorizada a legislar sobre matriz curricular e diretrizes educacionais.

A jurista relata que quase todas as leis municipais aprovadas pelo tema possuem redações parecidas. Em alguns municípios, porém, a abordagem dos legisladores foi especialmente agressiva. “Algumas delas adotam como consequência, por exemplo, a exoneração de servidores que utilizarem a linguagem neutra, bem como proibições às escolas particulares de contratação junto ao poder público”, apontou.

Os processos tramitam sob relatoria de Flávio Dino. Em seu voto nas duas ações com maioria consolidada, o ministro ainda chamou atenção para o fato de a língua ser “viva, sempre aberta a novas possibilidades, em diversos espaços e tempos”, não sendo cabível regulação nem no sentido de imposição e nem no sentido de punição sobre mudanças temporais. “Trata-se de um processo cultural e difuso, decorrente de mudanças sociais que, posteriormente, podem ser incorporadas ao sistema jurídico, observados os procedimentos pertinentes”, observou.

Amanda Baliza esclarece que não há o interesse de impor a adoção de linguagem neutra em qualquer instituição, mas sim de garantir com que a discussão não seja alvo de censura, seja no meio escolar, seja na administração pública. “Se, por exemplo, algum aluno aparecer adotando a linguagem neutra, o professor não pode ser proibido de abordar o tema e explicar aquela questão enquanto fenômeno cultural, gramatical ou social”.

A advogada avalia que as propostas legislativas que tentam proibir discussões sobre a linguagem neutra são fruto direto do interesse pessoal de seus autores. “Isso é muito comum em leis anti-LGBTQIA+. O pânico moral atrai votos, e muitas vezes é utilizado como ferramenta para eleger um inimigo para que alguns políticos consigam construir suas campanhas. O alvo da vez é a população trans”.

 

As ações com maioria formada tratam da suspensão de lei nos municípios de Navegantes (SC) e Rondonópolis (MT). Nos dois casos, já existem oito votos favoráveis à suspensão das leis anti-linguagem neutra, restando ainda a posição dos ministros Luiz Fux, Luís Roberto Barroso e Kassio Nunes.

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

 

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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