Trump anuncia taxação sem exceções e joga pressão sobre o Brasil

Foto: Igo Estrela/Metrópoles @igoestrela

 

O governo Lula (PT) monitora com atenção e cautela a taxação do aço e do alumínio pelos Estados Unidos, que entrará em vigor em 12 de março, conforme anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, no domingo (9/2). Já na noite de segunda-feira (10/2), a Casa Branca confirmou a medida e forneceu mais detalhes sobre a aplicação das tarifas.

Brasil atingido
A decisão de Trump de taxar em 25% as importações dos EUA de aço e alumínio atinge diversos países. A medida entra em vigor a partir de 12 de março.
O Brasil, ao lado do Canadá e México, é um dos maiores exportadores de aço para os EUA.
No seu primeiro mandato, Trump também adotou tarifas sobre importações dos metais. Na época, empresas do setor chegaram a anunciar demissões no Brasil, mas recuaram após o presidente norte-americano voltar atrás e cancelar a cobrança dos impostos.

A ordem executiva assinada pelo republicano taxa em 25% todas as importações norte-americanas dos materiais. Segundo Trump, a ação vai atingir importações de metal de todos os países, inclusive antigos aliados.

Esta é a primeira vez que o Brasil é atingido pela taxação trumpista, que, até agora, foi direcionada aos vizinhos Canadá e México, que conseguiram reverter após negociação, e a rival China.

Desta vez, a imposição de tarifas sobre as importações de metal visa proteger as indústrias americanas locais, mas gera preocupações no comércio internacional, além de pressões inflacionárias.

No fim de janeiro, Lula afirmou que o Brasil vai adotar a chamada reciprocidade, ou seja, irá taxar produtos americanos em resposta a possíveis tarifas sobre os produtos brasileiros.

Donald Trump, no entanto, afirmou durante a assinatura da medida que não se importa com a retaliação de outros países.

Em que pese a declaração do presidente Lula, o Palácio do Planalto, o Itamaraty e os ministérios setoriais têm acompanhado os movimentos de Trump sem planejar respostas imediatas. Um bom exemplo citado em termos de diplomacia é o da presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que conseguiu negociar com Trump e ganhou uma espécie de trégua tarifária, obtendo o adiamento, por um mês, da imposição de tarifas sobre os produtos mexicanos.

Em troca, ela enviou tropas mexicanas para a fronteira que separa o México dos Estados Unidos. Os 10 mil soldados foram designados especificamente para coibir a imigração ilegal e o tráfico de drogas na região. A situação deverá ser reavaliada pelos EUA no fim do mês.

Guerra tarifária de Trump
Desde que assumiu a Casa Branca, em 20 de janeiro de 2025, Trump iniciou guerra tarifária como estratégia para proteger os interesses dos EUA.
Até o momento, foram anunciadas taxações para as importações de produtos do Canadá, do México e da China. Países da União Europeia (UE) também entraram na mira de Trump.
Os presidentes do Canadá e do México buscaram entendimentos com os EUA e, temporariamente, as tarifas foram suspensas.
O Brasil não esteve na mira de Trump nas primeiras medidas de comércio exterior, mas agora é impactado diretamente, com a taxação sobre o aço e o alumínio importados pelos norte-americanos. Em 2024, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de aço para os EUA.

A decisão de Trump afetará diretamente o Brasil, que atualmente é um dos principais fornecedores de aço para os EUA. No ano passado, o saldo da balança comercial (total de exportações menos as importações) do Brasil com os Estados Unidos foi deficitária em US$ 253,3 milhões. Os produtos vendidos pelo Brasil somaram US$ 40,3 bilhões, enquanto a soma dos comprados dos EUA foi de US$ 40,6 bilhões.

Ainda em janeiro, sem anúncios concretos, a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, lembrou que os dois países têm relação histórica e vínculos econômico-empresariais

O governo brasileiro deverá seguir em reuniões ao longo desta terça. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está na França, com previsão de participar, nesta terça-feira (11/2), da Cúpula para Ação sobre Inteligência Artificial (IA).

Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi a primeira autoridade do governo brasileiro a abordar o assunto. Ele disse que o governo tomou a decisão de só se manifestar oportunamente com base em decisões concretas, não em anúncios que podem ser mal interpretados ou até mesmo revistos. “Então, o governo vai aguardar a decisão oficialmente antes de qualquer manifestação”, disse o titular da Fazenda.

Na sequência, o vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou que é necessário aguardar a formalização do ato e pregou o diálogo entre os países. “Vamos aguardar, porque nós acreditamos muito no diálogo. Isso já aconteceu antes, mas houve cotas, foram estabelecidas cotas”, disse.

Indústria também aguarda
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que não vai se posicionar por ora. As associações setoriais, a Aço Brasil e a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) também não estão comentando o assunto oficialmente no momento, mas já demonstram preocupação com os impactos.

A exportação do minério representou, no ano passado, quase metade de tudo que é vendido de terras tupiniquins para o país do Tio Sam, segundo dados da plataforma do MDIC.

Com informações do Metrópoles

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

 

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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