
O ex-BBB e atual vereador de São Paulo Adrilles Jorge (União) se batizou de “Geórgia” enquanto passsava batom e usava uma peruca durante sessão plenária na Câmara Municipal, na tarde desta quarta-feira (25), para criticar a aprovação no Senado Federal da inclusão da misoginia, ódio contra mulheres, como crime de preconceito previsto na Lei do Racismo.
“Como ao texto da lei é impreciso senhora Silvia feminista, eu posso em qualquer momento me colocar como uma mulher desta Casa”, dizia passando batom enquanto falava com a vereadora Silvia Ferraro (PSOL), da Bancada Feminista.
“Eu posso em qualquer momento me julgar uma mulher desta Casa. Em qualquer momento eu posso me colocar como uma mulher para debater de igual para igual, sem que eu seja enquanto homem criminalizado pelo fato de ser homem. Eu posso contextar a sua ideologia, eu posso ter uma brincadeira com a senhora, eu posso me julgar mulher porque a lei é tão esdrúxula que não define o que é uma mulher. Então, eu enquanto homem posso contestar a senhora, eu posso agredir verbalmente a senhora porque aos homens nada é lícito, segundo essa lei”, afirmou Adrilles.
O ex-BBB disse que a Lei Federal é “esdrúxula” e que as mulheres se colocam como vítimas, apesar dos aumento de feminicídios. O vereador ainda destacou que caso o texto seja sancionado poderá ser um empecilho para o futuro das mulheres no mercado de trabalho.
“As mulheres se colocam como vítimas preferenciais. essa lei não resolve nada, apenas criminaliza homens, essa lei vai fazer com que homens se afastem de mulheres. Essas lei vai fazer com que patrões não contratem mulheres com medo de serem enquadrados em uma lei que criminaliza qualquer crítica, a qualquer demanda de trabalho, a qualquer contestação ao trabalho de uma mulher. Mais uma lei progressista que criminaliza os homens, e embora tenha vários feminicídios existem várias denúncias falsas de mulheres contra homens.”
O site da Band procurou o vereador que justificou seu discurso como uma crítica em forma de piada e encenação.
“Eu fiz uma crítica ao esdrúxulo projeto de Lei da Misoginia, que por ser extremamente subjetivo potencializa qualquer criminalização ao homem, qualquer interrupção feita a uma mulher, qualquer crítica feita a uma mulher, qualquer contestação ou piada feita por uma mulher pode ser razão de misogonia. É extremamente estapafúrdio isso”, afirmou Adrilles.
O vereador ainda chamou a lei de antimasculina e disse que o texto aprovado é para criminalizar homens.
“Existe uma parte do projeto de lei que diz que é mulher qualquer pessoa que se declarar como mulher para além transsexualidade. E aí, eu fiz uma piada”, argumentou ele.
PROJETO – O Senado Federal aprovou na terça-feira (24) o projeto de lei que torna crime a misoginia, definida como o ódio, a aversão ou a discriminação contra as mulheres. A proposta altera a Lei do Racismo para incluir as condutas motivadas pelo preconceito de gênero entre os delitos punidos por discriminação.
Com a mudança, a prática passa a ser considerada um crime inafiançável e imprescritível, seguindo o mesmo rigor jurídico aplicado aos casos de racismo, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
De acordo com o texto aprovado, quem praticar, induzir ou incitar a misoginia estará sujeito às mesmas penas já estabelecidas para crimes de preconceito no Brasil. A medida visa fortalecer a proteção jurídica feminina, punindo manifestações que desumanizem ou inferiorizem a mulher na sociedade. Por se tornar um crime imprescritível, o Estado poderá processar os autores a qualquer tempo, independentemente de quantos anos tenham se passado desde o ato.
Fonte: Band Jornalismo











