Entenda os planos da Petrobras para investimentos, produção e dividendos até 2030

Foto: Marcos Serra Lima/g1

 

A Petrobras divulgou na última quinta-feira (27) o seu novo plano estratégico para os próximos cinco anos.

 

O documento prevê redução nos investimentos em relação ao plano anterior, aumento na produção e menor distribuição de dividendos aos acionistas — medidas para enfrentar a expectativa de queda no preço do petróleo Brent, usado como parâmetro global para precificação da commodity.

 

A queda nos preços do petróleo pode impactar diretamente o resultado da companhia, já que parte do lucro vem da venda do produto. Com preços mais baixos, cada barril rende menos receita, reduzindo o lucro.

 

“Os desafios aumentam. Estamos em um mundo instável, e o preço do petróleo flutua. Houve uma redução no preço por barril do petróleo cru desde o ano passado. Hoje temos 75% do valor do Brent, que é o que nos remunera, em relação a 2024”, disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, em entrevista a jornalistas nesta sexta-feira (28).

 

“Por isso, planejamos diversas medidas para racionalizar e simplificar projetos. Estamos voltando para a prancheta com alguns projetos que já estavam mais avançados justamente para trabalhar nas suas simplificações, otimizando gastos”, acrescentou a executiva.

 

Investimentos e aumento de produção

 

O plano prevê investimentos de US$ 109 bilhões (R$ 581,4 bilhões) em investimentos classificados como Capex — ou seja, usados para expandir e manter as operações da companhia. No plano anterior (2025-2029), o valor era de US$ 111 bilhões (R$ 592,1 bilhões).

 

Do total, US$ 91 bilhões (R$ 485,4 bilhões) serão aplicados em projetos já em execução, e US$ 18 bilhões (R$ 96 bilhões) na Carteira em Avaliação — que reúne iniciativas em estudo e sujeitas a análises adicionais antes de avançar.

 

A Petrobras projeta que a produção de petróleo alcance 2,7 milhões de barris por dia (bpd) em 2028 — 200 mil bpd acima da estimativa para 2026 (2,5 milhões) e 100 mil acima da previsão para 2027 (2,6 milhões). A estimativa é que a produção se mantenha nesse patamar até 2034.

 

Analistas apontam que o plano busca enfrentar a queda prevista nos preços do Brent com maior flexibilidade nos investimentos, aumento da produção e redução de despesas.

 

Isso porque o plano estabelece um novo mecanismo que separa projetos com orçamento aprovado daqueles que ainda precisam passar por análise de financiabilidade — estudo que avalia se são seguros e viáveis para receber investimento — antes da confirmação.

 

“Separamos os projetos maduros dos que ainda serão avaliados. Eles vão concorrer entre si, e escolheremos os que trazem maior retorno para a companhia”, explicou Chambriard.

 

A expectativa é que a empresa reveja esses projetos a cada três meses, avaliando disponibilidade de caixa, necessidade de retorno para a companhia e a financiabilidade desses projetos.

 

“É o que vamos fazer para garantir a financiabilidade e a adequação desses projetos a uma futura realidade de mercado”, completou a presidente da estatal.

 

Segundo as projeções da Petrobras, o preço do Brent deve ficar em US$ 63 por barril em 2026 e subir para algo em torno de US$ 70 nos anos seguintes até 2030.

 

Dividendos

 

Para dividendos, a estimativa é de pagamentos entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões (R$ 240 bilhões a R$ 266,7 bilhões) nos próximos anos. A projeção considera a carteira total da Petrobras e seu fluxo de caixa livre — dinheiro que sobra após o pagamento de despesas e investimentos.

 

O valor é menor que o previsto no plano anterior (2025-2029), que projetava entre US$ 45 bilhões e US$ 55 bilhões (R$ 240 bilhões a R$ 293,4 bilhões).

 

Além disso, a empresa também não prevê mais dividendos extraordinários — que, no plano anterior, estavam estimados entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões (entre R$ 26,7 bilhões e R$ 53,3 bilhões).

 

Esse cenário, segundo o diretor financeiro da Petrobras, Fernando Melgarejo, também reflete o cenário de preços mais baixos do Brent.

 

Melgarejo explica que, para garantir caixa suficiente para pagamentos extraordinários, seria necessário um preço maior do petróleo no mercado internacional e produção acima do previsto.

 

“A expectativa de produção é a que temos aqui [no plano]. A dúvida, é o Brent. Como todo mundo tem um consenso de que o Brent não está em uma visão altista no curto prazo [ou seja, não deve ficar mais caro em um futuro próximo], muito provavelmente não teremos dividendos extraordinários nos próximos períodos”, afirmou o diretor.

 

“Não temos problema em distribuir caixa excedente, desde que isso não comprometa a financiabilidade dos projetos”, completou.

 

Exploração e produção

 

O plano destina US$ 69,2 bilhões à Carteira de Implantação para exploração e produção.

 

Do total:

 

62% para projetos no Pré-sal;

 

24% em campos do Pós-sal;

 

10% alocados em exploração e;

 

4% relacionados a terra, águas rasas, ativos no exterior e tecnologias ou projetos de descarbonização.

 

Segundo o plano, a projeção de aumento na produção de óleo e gás no curto e médio prazo se darão por meio de uma melhor gestão dos reservatórios, novos poços complementares e entrada de novos sistemas de produção, além de uma maior disponibilidade de gás natural à frente.

 

De acordo com Chambriard, a manutenção da produção entre 2027 e 2030 deverá ser mantida por “desenvolvimento complementar”.

 

“Isso significa novos poços perfurados nas mesmas plataformas, substituindo os poços que perderam suas produtividades. É trocar os poços menos produtivos pelos mais produtivos”, explicou a executiva.

 

O plano também prevê investimentos na Margem Equatorial, onde a Petrobras deve perfurar mais um poço.

 

“Estamos perfurando o Morpho [poço localizado na Foz do Amazonas]. Na descida da sonda, vamos para o Rio Grande do Norte perfurar o terceiro poço”, explicou a diretora-executiva de exploração e produção, Sylvia Maria Couto dos Anjos.

 

Segundo ela, o objetivo é somar esse poço aos dois já descobertos na região, garantindo volume suficiente para justificar uma unidade de produção.

 

“Furamos dois poços, todos com óleo. Mas ainda precisamos otimizar [os volumes para justificar os custos]. Esse terceiro poço tpode complementar os outros dois ou, sozinho, justificar a produção”, completou dos Anjos.

 

Com informações do G1

 

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

 

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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