Brasil esfria crise política e resiste ao tarifaço de Trump

Ricardo Stuckert/PR

 

 

O ano de 2025 foi marcado pela imposição de tarifas elevadas pelos Estados Unidos sobre produtos importados de dezenas de países, incluindo itens brasileiros. O presidente Donald Trump justificou a medida contra o Brasil com alegações políticas, especialmente em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, então réu no Supremo Tribunal Federal (STF), e atualmente condenado por tentativa de golpe. As tarifas chegaram a 50% para determinados produtos, incluindo carne bovina, café, frutas, vegetais, minérios, aço e alumínio.

 

Ao Metrópoles, especialistas avaliaram que a saga do tarifaço em 2025 trouxe lições importantes sobre a condução da política comercial norte-americana.

 

As tarifas impostas pelo governo Trump afetaram principalmente setores brasileiros ligados ao agronegócio e à indústria de metais, segundo o professor Hugo Garbe, da Universidade Presbiteriana Mackenzie. “O impacto imediato incluiu queda nas exportações, redução de margens e ociosidade em plantas industriais. No médio prazo, houve redirecionamento de vendas para outros mercados, diminuição de preços e aumento do custo de financiamento devido à maior incerteza regulatória”, explicou o especialista.

 

Mônica Araújo, economista chefe da InvestSmart XP, destacou que “mesmo os países que têm pouca abertura comercial, como é o caso do Brasil, sofreram com a implementação de tarifas elevadas, cuja justificativa, no caso brasileiro, superava questões comerciais e considerava principalmente questões políticas.”

 

Por fim, a Casa Branca mostrou-se sensível à pressão interna nos Estados Unidos, ajustando tarifas em resposta ao custo de vida e à popularidade presidencial.

 

Além disso, decisões de Trump, como a imposição de tarifas e ameaças, são frequentemente táticas de pressão e não objetivos permanentes. Para a economista, mesmo com a flexibilização alcançada, a imprevisibilidade da política norte-americana mantém o cenário global de comércio em constante atenção.

 

Início do conflito comercial com os EUA

 

O tarifaço imposto pelo governo Trump sobre produtos brasileiros começou oficialmente em 6 de agosto de 2025, marcando o ápice de uma escalada comercial que se desenrolou ao longo do ano, misturando economia e política.

 

A medida elevou a alíquota de importação para 50% sobre itens brasileiros não incluídos na extensa lista de isenções, que abrangeu 694 produtos.

 

A escalada teve início em fevereiro, com a tarifa de 25% sobre ferro e aço, seguida por uma tarifa recíproca de 10% aplicada em abril, e o aumento para 50% sobre o mesmo setor em maio.

 

Trump justificou as sobretaxas como proteção à indústria local e resposta a políticas brasileiras consideradas “desfavoráveis”, enquanto ações políticas, como a suspensão de vistos de ministros do STF e sanções sob a Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, ampliaram o caráter diplomático e político do conflito.

 

O impacto foi sentido principalmente nos setores de agronegócio, indústria de metais, café, frutas e calçados, pressionando Brasília a buscar diálogo e medidas de apoio sem recorrer a retaliações diretas.

 

Flexibilização parcial e negociações diplomáticas

 

Em novembro, o republicano assinou uma ordem executiva que reduziu parte das tarifas sobre produtos agrícolas brasileiros. Com a decisão, tarifas de 40% sobre carne bovina fresca, resfriada ou congelada, produtos de cacau e café, frutas, vegetais, nozes e fertilizantes foram zeradas — seguindo apenas a tarifa padrão de 10%, adotada sobre todos os países.

 

À época, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que “o próximo passo é diminuir as taxas que atingem o setor industrial”. O chanceler Mauro Vieira confirmou que o Brasil apresentou aos EUA uma “proposta geral” sobre o tarifaço e espera que a negociação preliminar sirva de base para acordos mais amplos nos próximos meses. “Temos que esperar que eles reajam”, disse Vieira.

 

Segundo o Planalto, a Casa Branca considerou haver “progresso inicial” nas negociações, iniciadas após uma ligação entre Lula e Trump em outubro, que abriu caminho para a revisão da medida punitiva.

 

Relação entre Lula e Trump

 

No início de dezembro, Lula conversou — novamente — por cerca de 40 minutos com Trump. O presidente brasileiro agradeceu a retirada parcial das tarifas e reforçou a importância de avançar nas negociações. Ele ainda solicitou cooperação americana no combate ao crime organizado internacional. O Planalto afirmou que Trump demonstrou “total disposição” para trabalhar com o Brasil e apoiar ações conjuntas entre os dois países.

 

O líder norte-americano, que por diversas vezes, após toda a turbulência na relação, fez questão de ressaltar a “química” entre ele e o petista, destacou mais uma vez que “gosta muito de Lula”.

 

O professor Hugo Garbe destaca que os Estados Unidos usam tarifas como “instrumento de pressão e negociação”. “O Brasil, por sua vez, precisa proteger empregos, exportações e a receita do agronegócio. A soma desses interesses levou à abertura de um canal de diálogo.”

 

A imprensa internacional destacou que o Brasil conseguiu reverter parcialmente a ofensiva tarifária de Donald Trump, mostrando que uma postura firme pode influenciar negociações e que é preciso diferenciar táticas de objetivos na política americana.

 

“Após o choque inicial, os dois governos passaram a negociar reduções parciais das tarifas e ampliaram a pauta para temas como comércio, segurança e estabilidade regional”, avaliou o especialista.

 

Próximos passos para 2026

 

O Planalto aguarda uma nova rodada de negociações com os EUA em janeiro de 2026, com expectativa de superar o impasse comercial até o fim do primeiro semestre. Paralelamente, Lula busca ampliar parcerias internacionais:

 

Fevereiro: viagem à Índia para visita de Estado e negociações sobre abertura do mercado indiano e cooperação em digitalização de serviços públicos.

 

Abril: participação na Hannover Messe, na Alemanha, para abertura de novos mercados para biocombustíveis.

 

Junho: possível ida à França para reunião do G7, dependendo da situação comercial com EUA e União Europeia.

 

Novembro: reunião do G20 nos Estados Unidos.

 

Importadores brasileiros afetados pelo tarifaço podem solicitar reembolso das tarifas cobradas indevidamente desde a entrada em vigor da nova regra. A medida visa aliviar pressões sobre cadeias exportadoras e conter efeitos indesejados no mercado americano.

 

Por fim, Mônica Araújo avalia que “mesmo com a manutenção das atuais tarifas para o Brasil, não é esperado impacto relevante para a economia brasileira em 2026, dado que já houve realocação de parte dos produtos para outros mercados e retirada parcial das tarifas para diversos setores.”

 

Com informações do Metrópoles

 

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A AUTORA

Editora do Blog da Renata, a jornalista Renata Gondim tem atuação de mais de vinte anos na cobertura política de Pernambuco e hoje é uma das principais vozes femininas e produtora de conteúdo na área, destacando-se por sua atuação nas redes sociais. Foi correspondente em Brasília (DF) pela Agência Nordeste, na cobertura dos fatos do Congresso Nacional, e repórter Sênior de Política e colunista interina no jornal Folha de Pernambuco. É comentarista política da Rádio Tamandaré 890 AM, no quadro Provérbios da Política, com participações especiais como convidada também em outras emissoras do Estado e pela TV Nova Nordeste.

 

No segmento da assessoria governamental, foi Secretária de Comunicação e Relações Institucionais da Prefeitura de São Lourenço da Mata (2008-2014), na Região Metropolitana do Recife (RMR); e assessora de comunicação da Empresa Pernambucana de Transporte Intermunicipal (EPTI). Possui especialização em Marketing Eleitoral.

 

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A AUTORA

Renata Gondim é jornalista desde 2004. Foi repórter da editoria de Política da Folha de Pernambuco e colunista interina da Folha Política. Em Brasília, foi correspondente da Agência Nordeste no Congresso Nacional. Nos últimos anos, dedicou-se à assessoria de comunicação governamental. De volta à cobertura jornalística e aos bastidores da informação, agora com um blog autoral, assume a missão de combater as fake news e a manipulação de conteúdo, trazendo para você os principais fatos da política e temas de interesse da sociedade pernambucana.

 

Contato: renata@blogdarenata.com.br

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