
Depois de falar que a entidade religiosa à qual pertence pagaria o ato em defesa de Jair Bolsonaro (PL), o pastor Silas Malafaia mudou o discurso e afirmou que vai bancar os custos do próprio bolso. Ele espera reunir 300 mil pessoas na av. Paulista, em São Paulo, no dia 25.
O que aconteceu
Malafaia foi o idealizador da manifestação. Ele esteve a quinta-feira (15) inteira com Bolsonaro, em Brasília, planejando o evento e ficou decidido que haveria um único trio elétrico.
Na saída do encontro, o pastor declarou que a Associação Vitória em Cristo iria arcar com os gastos. A afirmação foi dada em entrevista coletiva e publicada por Malafaia em seu próprio Instagram.
“Os recursos são exclusivos da Associação Vitória em Cristo. Não tem recurso de político, não tem recurso de caixa dois ou seja lá de onde quer que seja”.
Pastor Silas Malafaia, na quinta.
Ontem, porém, o pastor mudou o discurso. Ele disse que as despesas serão bancadas com dinheiro pessoal. Mais uma vez, a informação foi postada em seu Instagram.
O pastor justificou que começou um burburinho de que estava usando dinheiro de fiéis. Ele alegou que a associação é uma entidade diferente da igreja, não tem dízimo e que seu estatuto permite manifestações públicas.
Mas, como tem renda, Malafaia disse que preferiu tirar dinheiro do bolso e evitar “acusações da esquerda”. Ele disse que seu Imposto de Renda comprova o poder aquisitivo para custear o trio elétrico.
Dinheiro doado por fiéis vai pagar o ato. Tanto se viesse como bancado pela igreja, quanto pelo salário de Malafaia, a fonte vem dos próprios integrantes da congregação.
“Eu vou pagar e acabo com qualquer tentativa de levarem para um lado… porque a covardia é grande”.
Pastor Silas Malafaia, em resposta ao UOL.
Pressão popular, mas ainda sem grandes nomes
O veículo trará um slogan em defesa do Estado Democrático de Direito, mote da manifestação. Embora seja investigado pela PF (Polícia Federal) por suspeita de planejar um golpe de Estado, o ex-presidente diz que joga “dentro das quatro linhas da Constituição”.
Malafaia bancou ato em 7 de Setembro. Naquele dia de 2022, durante a corrida presidencial, o então candidato à reeleição subiu num trio elétrico no Rio também custeado pelo pastor. O slogan à época questionava o sistema eleitoral: “Eleições limpas e transparentes”.
Segundo a PF, Bolsonaro encomendou e alterou uma minuta para invalidar o resultado das eleições. Ele também teria chamado militares para fazer uma intervenção após a derrota para Lula e usado as redes sociais para desacreditar as urnas eletrônicas.
Além de rebater as acusações, o ex-presidente espera reunir uma multidão. A ideia é, com a militância presente, fazer uma pressão popular contra sua eventual prisão de Bolsonaro e demonstrar popularidade e força política. Eles estimam que 300 mil pessoas comparecerão ao ato.
A ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro, também é aguardada. A expectativa é que ela faça uma oração logo no início da manifestação.
Até o momento, poucos nomes da direita confirmaram presença. O único governador que garantiu participação foi Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo. Ele foi ministro da Infraestrutura durante o governo Bolsonaro. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), tem sido pressionado por aliados a não ir ao ato. Isso também foi usado por seu principal opositor.
Com informações do UOL











