
A quatro dias do segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta dois desafios para tentar superar Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial: conquistar votos de candidatos derrotados no primeiro turno e mobilizar eleitores que não compareceram às urnas em 4 de outubro.
Segundo o cientista político Bruno Soller, do Real Time Big Data, Flávio tende a receber a maior parte dos votos de candidatos da terceira via, enquanto Lula precisaria compensar essa diferença com o apoio de eleitores que não participaram da primeira votação.
O senador terminou o primeiro turno com 56,1 milhões de votos, contra 53,9 milhões do presidente, uma vantagem de aproximadamente 2,2 milhões.
A disputa segue apertada. Pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira (20) mostra empate técnico entre os candidatos, com Flávio numericamente à frente: 52% dos votos válidos, contra 48% de Lula. O levantamento também aponta que 93% dos entrevistados já definiram o voto, enquanto 7% ainda estão indecisos.
Votos da terceira via – Os candidatos que ficaram fora do segundo turno receberam, juntos, 9,3 milhões de votos, número mais de quatro vezes superior à diferença entre Flávio e Lula na primeira votação.
Augusto Cury (Avante) foi o mais votado desse grupo, com 3,4 milhões de votos, seguido por Renan Santos (Missão), com 2,7 milhões, e Ronaldo Caiado (PSD), com 2,6 milhões. Romeu Zema (Novo) recebeu outros 326 mil.
Segundo Soller, os eleitores de Caiado, Renan e Zema tendem a migrar em maior proporção para Flávio. Entre os que votaram em Cury, a divisão deve ser mais equilibrada.
Pesquisa Quaest divulgada em 14 de outubro mostrou que, entre os eleitores de Caiado, 42% declararam voto em Flávio e 23% em Lula. No grupo que votou em Renan Santos, os percentuais foram de 40% para o senador e 14% para o presidente.
Já entre os eleitores de Cury, Lula apareceu com 34% das intenções de voto, contra 30% de Flávio.
Para Soller, a vantagem obtida pelo senador no primeiro turno torna a transferência desses votos especialmente importante para o resultado da eleição. “Eu diria que o cenário para o Lula é muito complicado, é muito difícil”, avaliou.
Disputa pelos ausentes – Outro desafio apontado pelo cientista político é a abstenção. No primeiro turno, 33,4 milhões de brasileiros deixaram de votar, o equivalente a 21,08% do eleitorado.
Segundo Soller, parte desses eleitores poderia alterar a distribuição de votos no segundo turno, mas Lula precisaria convencê-los tanto a comparecer às urnas quanto a apoiar sua candidatura. “O Lula tem que convencer o eleitor da abstenção a ir votar e votar nele”, afirmou.
Em 2022, a abstenção caiu de 20,95% no primeiro turno para 20,59% no segundo, uma redução de apenas 0,36 ponto percentual. Na maior parte das eleições presidenciais anteriores, o movimento foi de aumento.
A ausência de segundo turno para governador em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro também preocupa as campanhas. Sem candidatos estaduais na disputa, parte das estruturas políticas locais pode ter menos incentivo para mobilizar os eleitores.
A disputa pelos ausentes, porém, não se restringe a Lula. Pesquisa Quaest divulgada na semana passada mostrou que, entre os entrevistados que não votaram ou escolheram branco ou nulo no primeiro turno, 43% pretendiam votar no presidente no segundo, contra 38% em Flávio.
As duas campanhas intensificaram os esforços de mobilização na última semana. Aliados de Lula apostam em atos de rua, viagens e participação de lideranças políticas, enquanto o PL procura manter os apoiadores engajados e ampliar o alcance do senador entre eleitores que não votaram nele em 4 de outubro.
*Com informações do R7










