
Por Renata Gondim – Assim como o Blog da Renata especulou tendo por referência a sensibilidade administrativa da governadora Raquel Lyra (PSDB), o decreto de exoneração em massa dos cargos comissionados e funções gratificadas foi retificado em publicação do Diario Oficial desta quarta-feira (4). Em síntese, a exoneração não se aplica a diretores e gestores das áreas da saúde e educação, e da segurança pública, áreas consideradas “vitais” para o atendimento à população. Entretanto, Raquel manteve a decisão de revogar as cessões dos servidores públicos, que deverão se apresentar em seus órgãos de origem em até cinco dias. Este foi um quesito que também gerou polêmica, uma vez que há servidores lotados na Prefeitura do Recife – um total de 112 pessoas, dentre elas o secretário de Educação, Fred Amâncio, e de Finanças, Maíra Fischer -, e até mesmo no Governo do Espírito Santo, como secretário estadual de Justiça. Nesta medida, agora, inclui-se a administração indireta.
Esta, aliás, é a única regra a ser seguida pelas empresas estatais, uma vez que elas ficaram de fora da “canetada” da governadora e seus cargos comissionados continuam na folha de pagamento até segunda ordem. O motivo alegado é que estas empresas seguem regras específicas, e cabe a cada diretor/presidente a exoneração de seus funcionários. Mas cabe a Raquel Lyra a decisão de nomeação e exoneração desses diretores/presidentes, e por isso a pergunta que paira nos bastidores é: por que estes cargos continuam “intocáveis”? Ainda mais quando sabemos que parte deles estão ocupados não apenas por nomes da gestão Paulo Câmara, mas em alguns casos por pessoas que foram responsáveis por uma verdadeira “caça às bruxas” aos servidores que não estavam alinhados à candidatura da Frente Popular nas últimas eleições e que trabalharam massivamente contra a campanha de Raquel.
A resposta, entretanto, pode ter uma natureza política. Isso porque a maior parte destas empresas estão ocupadas por indicações políticas, e aí se inclui partidos que deverão continuar na base do Governo do Estado e que darão sustentação à nova gestão na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Dentre eles o Partido Progressista (PP), do deputado federal Eduardo da Fonte, que conta com a maior bancada da Alepe e poderá ser uma pedra no sapato da governadora, caso não se sinta contemplado no segundo escalão.
Raquel fez a composição do seu secretariado com nomes técnicos, sem se reder a pressão da velha política e cumpriu seu compromisso de campanha em prezar pela eficiência administrativa. Mas agora é a hora de colocar na balança os impactos que a definição do segundo escalão poderá causar na viabilização da governabilidade, e será natural também ceder para a participação política. Vamos aguardar.











