
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (11) uma intervenção federal na segurança de Washington D.C., sob a justificativa de combater a violência na capital e buscar retirar os sem-teto e os criminosos da cidade.
Trump afirmou que há uma “trágica emergência de segurança” na capital dos EUA, e para isso disse que enviará cerca de 800 tropas da Guarda Nacional e controlará a polícia da cidade. Uma ordem executiva assinada por ele afirma que “o crime está fora de controle” na cidade.
“Washington DC deveria ser um dos lugares mais seguros e bonitos do mundo, mas há alguns anos não é mais. A esquerda radical saiu do controle, porque os democratas não querem segurança”, afirmou Trump em coletiva na Casa Branca.
Para justificar a intervenção, o presidente afirmou que a taxa de homicídios em Washington D.C. é maior do que em alguns dos piores lugares do mundo. No entanto, apesar da cidade ter problemas de violência armada e criminalidade, o crime em geral está em queda na capital e atingiu em 2024 o menor nível dos últimos 30 anos, segundo dados de segurança pública dos EUA. Já o crime violento, que Trump citou diversas vezes, caiu 26%, segundo o Departamento de Polícia local.
Washington D.C. fica no distrito de Colúmbia, região administrativa dos EUA que funciona sob regime especial. A prefeita de Colúmbia, Muriel Bowser, uma democrata, nega a emergência citada por Trump, reiterando que a criminalidade no distrito caiu desde 2023. Bowser é a principal autoridade executiva da cidade e exerce funções equivalentes às de governadora.
A Guarda Nacional é uma força híbrida vinculada ao Exército dos EUA, com função estadual e federal. Normalmente opera sob comando dos estados, com financiamento dos governos locais. Às vezes, os soldados são enviados para missões federais, ainda sob comando estadual, mas com recursos federais.
A medida de Trump ocorre após Trump expressar algumas vezes, desde que retornou à Casa Branca em janeiro, o desejo de colocar Washington D.C. sob controle federal. A intervenção federal é interpretada pelos jornais dos EUA como “uma medida extraordinária de uso do poder federal” e que pode expor os moradores da capital.
Para convocar a Guarda Nacional, Trump invocou uma lei federal chamada “Homerule Act“, que pode ser traduzido como “Lei de Autogoverno”. Essa lei permite o uso da Guarda Nacional em três situações:
se os EUA forem invadidos ou estiverem sob ameaça de invasão;
se houver rebelião ou ameaça de rebelião contra a autoridade do governo federal;
ou se o presidente estiver impedido de “executar as leis dos Estados Unidos” com forças regulares.
No domingo (10), Trump pediu que as pessoas em situação de rua deixem Washington D.C. “imediatamente”, garantindo que o governo lhes ofereceria abrigo “longe” da capital do país. O republicano voltou a tocar no assunto nesta segunda, e disse que a cidade será “libertada”.
“Washington, D.C. será LIBERTADA hoje! O crime, a selvageria, a imundice e a escória vão DESAPARECER. Eu vou TORNAR NOSSA CAPITAL GRANDE NOVAMENTE! Os dias de matar ou ferir brutalmente pessoas inocentes ACABARAM! Consertei rapidamente a fronteira (ZERO IMIGRANTES ILEGAIS nos últimos 3 meses!), D.C. é a próxima!!!”, afirmou Trump em publicação na rede social Truth Social nesta segunda-feira.
Trump disse que apresentou seu plano para tornar a cidade “mais segura e bonita do que nunca” durante coletiva de imprensa na Casa Branca nesta segunda-feira. O anúncio de tropas da Guarda Nacional foi adiantado por diversos veículos da imprensa dos EUA, e falam que entre 800 e mil soldados podem ser enviados ao Distrito de Colúmbia —onde fica Washington D.C.
Segundo o relatório anual do Departamento de Habitação, em 2024, Washington D.C. tinha mais de 5,6 mil pessoas em situação de rua, ocupando o 15º lugar entre as principais cidades dos Estados Unidos nesse aspecto.
Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro, Trump enviou mais de duas mil tropas da Guarda Nacional a Los Angeles para conter protestos contra suas políticas anti-imigração. Cada designação do tipo deve ser feita em coordenação com o governo estadual, porém, nesse caso o envio ocorreu contra a vontade do governador, Gavin Newsom.
Com informações do G1











